O importante papel da comunicação interna, especialmente em tempos de crise. Por Ana Flávia Tolentino Tornelli.

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Não é nenhuma novidade. Quando o assunto é a necessidade de enxugar os gastos das companhias a ordem de grande parte delas é fazer cortes na comunicação. Mas por quê? A comunicação interna é uma área supérflua ou menos importante que as demais? Qual a verdadeira função da área dentro das organizações? Restringe-se à atualização de jornal mural? Atualização da intranet? Envio de e-mail marketing com a cobertura de eventos institucionais (que por sinal, também estão deixando de acontecer à medida que a austeridade se torna a premissa do mundo corporativo)?

Na verdade, alguns gestores resistem em reconhecer que a função da comunicação interna vai muito além das tarefas acima citadas.

Ignora-se o fato de que um profissional bem informado, por dentro de tudo que acontece na empresa, é, na maioria das vezes, aquele profissional que “veste a camisa”, que defende a empresa nas discussões com os amigos, com a família com os próprios colegas. É o empregado que, muito provavelmente, vai enaltecer os pontos positivos da organização, contribuindo para a construção da boa imagem da mesma. Um profissional bem informado não necessariamente estará satisfeito na empresa e na função que ocupa, por diversos motivos.

Mas um profissional satisfeito é, necessariamente, um profissional engajado, antenado, que participa das decisões, que se sente parte daquela empresa. Que reconhece sua importância e sabe que faz a diferença.

Quando se tem acesso às informações, de forma transparente, evita-se os ruídos da “rádio peão”, que se instala quando as pessoas não sabem o que se passa dentro de sua própria empresa, e, na falta de informações claras, espalham e ouvem boatos pouco (para não falar nada) fundamentados.

É um fato: a comunicação interna é fundamental para a melhora do clima organizacional, ao passo em que possibilita aos empregados participarem ativamente das decisões da instituição, acompanhando os resultados das ações e sentindo-se aptos a propor novos projetos, na certeza de que serão ouvidos, especialmente em empresas de grande porte, onde os empregados sentem-se distantes dos líderes.

O principal fator motivador dos empregados não deve, jamais, ser o medo de perder o emprego, como tem acontecido neste período de crescimento desenfreado do índice de desemprego, mas a vontade verdadeira de pertencer à determinada organização e, principalmente, o fato de poder se orgulhar dela.

Especialmente neste momento delicado da economia, quando os empregados se sentem inseguros com relação ao futuro, faz-se necessária uma comunicação eficaz e direta com todos os níveis hierárquicos da organização. Para isso, existem as mais diversas ferramentas de comunicação. Cabe à área analisar qual canal utilizar e de que forma. A fim de incentivar a produtividade, contribuindo para a satisfação dos colaboradores, é papel da comunicação estabelecer essa relação de confiabilidade e transparência entre empregado e empregador.

Diante do exposto, vale a reflexão: seria a comunicação uma área subjetiva nas organizações, especialmente neste momento?

Ana Flávia Tolentino Tornelli é graduada em Jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UNI-BH) e pós-graduada em Comunicação Estratégica nas Organizações pela PUC-Minas. Atua como redatora e assessora de imprensa de empresas de grande porte, produzindo conteúdos também destinados aos públicos interno e externo dessas organizações. Apaixonada por livros, pela escrita e uma eterna estudante da comunicação empresarial e seus efeitos na construção da imagem corporativa e fortalecimento da cultura organizacional.