PAPO DE TERÇA - Ser criativo não basta, vai lá e faz! Por Nathália Corrêa.

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VLEF (Vai Lá E Faz) é um termo que dá título ao livro do futurista brasileiro Tiago Mattos, e é um convite para sair do campo das ideias e colocar seu negócio em prática. Deslocando um pouco esse pensamento do empreendedorismo para a área da publicidade, a teoria VLEF pode ajudar na execução das ideias criativas.

Quem trabalha diariamente com comunicação, publicidade ou marketing, sabe que existe um árduo caminho entre a concepção de uma ideia e a sua viabilização na prática, não é mesmo?

Primeiro passo: compreender o briefing e o desejo do seu cliente.

Segundo passo: promover um brainstorm para dar asas à imaginação.

Terceiro passo: o momento de definir se a sua ideia é viável e… mãos à obra.

Claro que esse ciclo varia de pessoa para pessoa e podem existir mais de três etapas.

Muitos insights dão origem a ideias brilhantes e outras que ainda necessitam de uma lapidação para serem aproveitadas.

No processo criativo, existem perigosas armadilhas mentais que podem atrapalhar a concepção de uma ideia. Mattos cita, em seu livro, 8 dessas armadilhas.

#1: O vale das ideias

Descrito pela primeira vez por Scott Belsky – autor do livro ‘A ideia é boa. E agora?’, o vale das ideias é o período em que você ainda não partiu para a execução, porque está em êxtase com a ideia. É aquela sensação satisfatória e de conquista pessoal. O autor explica que tornar-se um viciado em ideias é um risco que pode estagnar o seu processo de evolução nessa etapa, fazendo alusão a um dependente químico que é estimulado a cada dose de determinada droga. Dessa maneira, você vai estimulando seu cérebro a ter muitas ideias, se considera criativo por isso, mas, foge da etapa da prática.

#2: A teoria da toalha molhada

Já experimentou torcer uma toalha molhada? Parece que quanto mais você aperta, mais água tem para sair. Não é assim? Essa teoria traduz aquela sensação de que há sempre algo mais a ser feito, há sempre algum detalhe para aperfeiçoar. O processo criativo pode gerar a sensação da toalha molhada quando o profissional está sempre querendo articular mais a ideia antes de passar para a fase da execução. Colocar em prática é compartilhar o pensamento e permitir que a ideia ganhe forma.

#3: Pensamento de cofre

Esse pensamento é voltado para o sigilo construído pelo medo de que a ideia seja copiada. Acredita-se que escondendo o ‘tesouro’ se obtém mais sucesso. Mas, como colocar uma ideia escondida em prática? Se esse é o seu receio, um caminho é pensar que sua ideia só será bem executada por você, porque sabe exatamente como deseja que ela seja feita e está disposto a trabalhar para isso. O autor cita um excelente exemplo. Se te entregarem um manual de montagem de um iPhone, você devolve com um telefone novo? A parte mais complexa não é a ideia e sim a execução.

#4: O fator multiplicador

Esta armadilha parte do mesmo princípio do ‘Pensamento de cofre’. Uma ideia sozinha, sem execução, não vale nada. O valor de uma ideia só é multiplicado quando ela é colocada em prática. Você é o maior investidor da sua ideia.

#5: Brainstorm desestruturado

Brainstorm é uma prática comum que gera grandes ideias, mas pode se tornar uma armadilha se não estiver sendo bem executada. Mattos cita três regras que podem deixar esse processo mais produtivo: 1) não durar mais de noventa minutos; 2) verbalizar e anotar tudo (as ideias boas e ruins); 3) Praticar o “yes, and…”, que consiste em dizer sim ao insight de alguém e complementar o raciocínio com algo, pois isto cria um clima colaborativo e de co-construção.

#6: Ignorar a emergência

Nessa armadilha, são citadas três etapas que podem ser encontradas: 1) Divergência: quando emergem soluções das mais diferentes naturezas e o universo de possibilidades se abre. Energia alta; 2) Emergência: quando aumenta a angústia do criador pela pressão do prazo, e pelo número escasso de soluções. Surgem pequenos conflitos. É preciso entender que essas faíscas são naturais – e que significam avanço – é um recurso precioso para quem cria; 3) Convergência: quando as soluções começam a ser confrontadas com o problema original e o leque se fecha. É a hora da seleção.

#7: O gênio incompreendido

No processo de ideação, há maneiras diferentes de criar. Mattos utiliza a teoria de Arne Dietrich, que apresenta os 4 tipos de criatividade:

  1. Deliberada e cognitiva: é quando temos um problema e nos concentramos para resolvê-lo. Requer profundo conhecimento do assunto e tempo para testagem das inúmeras associações.
  2. Deliberada e emocional: requer tempo de quietude e solidão.
  3. Espontânea e cognitiva: requer fazer uma pausa e dar uma volta.
  4. Espontânea e emocional: é o clichê da criatividade de pintores, escultores, músicos e designers. É a inspiração que aparece como mágica. É incompreensível e requer algo misterioso.

Posso adivinhar qual é o seu tipo de criatividade. A maioria das pessoas acreditam ser um gênio incompreendido e tendem a seguir pelo método espontâneo e emocional. A dica para ser mais produtivo é focar nos 3 primeiros tipos de criatividade.

#8: A confusão do trio ‘imaginação, criatividade e inovação’

Chegamos a um ponto essencial para que uma ideia se torne ação: compreender esse trio.

A imaginação é você pensar em algo que não foi captado pelos seus sentidos. Ter uma ideia muito mirabolante, que não está a serviço de nada, torna você uma pessoa imaginativa e não criativa.

A criatividade é quando você usa a imaginação como solução para um problema, a partir de uma ideia inusitada e viável.

A inovação é colocar a criatividade em prática. Pegar a sua ideia criativa e fazer, de fato.

Numa frase, o maestro australiano Herbert Von Karajan disse: ‘Quem decide pode errar. Quem não decide já errou’. Portanto, solte a sua imaginação para permitir que as ideias boas e ruins saiam, use a sua criatividade para filtrar e inove! O que falta para você ir lá e fazer?

Imagem: Nik MacMillan por Unsplash

Nathália Corrêa é bacharel em Comunicação Social pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e tem MBA em Marketing Digital. Atua na gerência de marketing e mídias sociais.

2 respostas para “PAPO DE TERÇA – Ser criativo não basta, vai lá e faz! Por Nathália Corrêa.”

  1. Mariana Virgílio disse:

    Ótimo texto, Nathália. Acredito que mais do que talento, criatividade é hábito e há muitos gatilhos que podem nos ajudar a colocar em prática, como esses que você citou.

  2. Laura disse:

    Amei demais esse texto e me identifico. Como designer penso também que não basta ficar esperando a criatividade chegar, como se o processo acontecesse sempre “do nada” e de forma mágica. Botar a mão na massa sempre me ajuda, mesmo que começando por um mapa visual de referências 🙂 De repente flui!

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