PAPO DE TERÇA - Eleições 2020: redes sociais serão os novos comícios, em tempos de pandemia? Por Nathália Corrêa.

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Com a pandemia do coronavírus se proliferando pelo Brasil e o isolamento social sendo a medida preventiva recomendada pelos órgãos de saúde, o marketing político para as eleições municipais, previstas para outubro deste ano, será impactado.

Quando o assunto é política, a marca registrada das campanhas eleitorais é o contato presencial corpo a corpo, as visitas nas casas, as conversas com a população e aqueles famosos registros dos candidatos no meio do povo, não é mesmo?

Desde o início da pandemia, diferentes setores estão sendo obrigados a migrarem para atividades internas e até as externas para o ambiente on-line. O que antes era uma opção, atualmente, virou questão de sobrevivência. Readaptação é, para nós publicitários, palavra de ordem, visto que a profissão exige essa habilidade. E, para os ‘marketeiros’ de plantão, é necessário explorar ainda mais os novos recursos digitais disponíveis para as eleições que se aproximam.

O marketing eleitoral já vem sofrendo algumas alterações, desde os últimos anos, como extinção dos famosos ‘showmícios’, redução do tempo de campanha, proibição de outdoors, determinação de regras para anúncios dos candidatos nas redes sociais e o aumento das fake news, por exemplo, que prejudicam a imagem de muitos candidatos e partidos.

As notícias falsas, rapidamente espalhadas pelas redes sociais, têm interferido fortemente nos resultados das últimas eleições. Se as campanha forem exclusivamente realizadas pelo ambiente digital, será que estaremos preparados para lidar com as fake news? Bom, isso é pauta p’ra outro papo!

Neste momento de incertezas sobre as eleições para prefeito e vereadores, uma coisa é certa: o maior desafio das campanhas eleitorais é compreender o marketing político e ter olhar estratégico, não apenas compartilhar a propaganda eleitoral convencional nas redes sociais.

Cada plataforma digital possui suas particularidades únicas e, portanto, a comunicação deve se adaptar ao meio. Se antes as campanhas eleitorais possuíam um formato único, hoje elas são mutáveis a cada nova eleição.

Veja 5 pontos que devem ser considerados na criação de um plano de marketing político digital:

1. Não é sobre fazer uma arte bonita para o Facebook!

Sempre tem aquele sobrinho ou filho de um conhecido que ‘mexe em alguns programas de imagens e entende de internet’, não é mesmo? Te digo que uma arte bonita no Facebook não ganha eleição, meu amigo. A técnica pela técnica não comunica. Propaganda tem que ter embasamento.

2. Estratégia é rainha e conteúdo rei!

Antes de começar a fazer posts para as redes sociais é preciso definir a estratégia de comunicação e os pilares de conteúdo. Esse poderoso casal é que irá conduzir toda a campanha política. Assim como em um tabuleiro de xadrez em que você não faz uma jogada por acaso, os posts são como as peças, com objetivos bem traçados anteriormente. Os pilares de conteúdo são os truques de mestre para conquistar seus eleitores e encantar através de materiais ricos.

3. Não banque o sabichão, performance digital exige conhecimento!

É só as eleições se aproximarem para surgirem novos perfis dos candidatos a prefeito e vereadores em várias redes sociais. Um dos erros mais comuns nessa época: achar que é só criar uma conta nas redes, fazer posts com frases de efeito, postar com frequência e já temos uma campanha. Existem recursos básicos que devem ser considerados como o marketing de conteúdo, técnicas de SEO (caso haja um blog), anúncios de Face e Insta Ads, posicionamento, discurso, tom de voz, monitoramento e SAC 2.0, gestão de crise, boa redação com textos que despertam o engajamento da audiência, análise de métricas, utilização das ferramentas de cada plataforma para enquetes e envolvimento com o público, entre outros conhecimentos indispensáveis para se obter resultados satisfatórios com a campanha nas redes sociais.

4. Perfil fake nas redes sociais é crime!

Essa ainda é uma prática comum nas campanhas eleitorais, como foi verificado nas eleições presidenciais de 2018. Mas, se você acha que está fazendo marketing digital ao adotar atitudes como criação de contas fake para difamar outros candidatos, além de ser uma postura para amadores, nada profissional, é crime! Ao aceitar isso, você está prejudicando sua própria imagem, mostrando falta de argumentos para disputar uma eleição, despreparo e uma campanha suja.

5. Anúncio digital requer investimento sim!

‘Criar uma conta no Facebook é gratuito. Só postar’. Sim, ainda existem candidatos que limitam o marketing digital à criação de uma conta no Facebook. Além do gerenciamento de outras redes sociais também de massa como Instagram, WhatsApp e Twitter, existe a criação de anúncios pagos, a publicidade digital. Funciona assim: você investe o valor que desejar e consegue segmentar o perfil do público para o qual o anúncio será exibido. Essa segmentação pode ser feita por localização, gênero, interesse, faixa etária, palavras-chaves etc. Você também consegue obter uma estimativa prévia do alcance de público que o anúncio irá atingir. Bacana, né? Pois bem, isso requer investimento e conhecimento para criar e monitorar os gerenciadores de anúncios.

Após aprofundar um pouquinho no marketing digital, a importância da sua utilização nas campanhas eleitorais e esclarecer alguns pontos, saia na frente e garanta o know how da sua equipe em marketing digital. Mas, não se esqueça de que, assim como os palanques são palcos de frases, locuções e promessas para a população, as redes sociais também são potencializadoras de um discurso. Só que nas redes, os holofotes nem sempre estão no político. Eles podem estar nos eleitores que se manifestam através de comentários, curtidas, críticas e reações. E nas redes, o ‘comício’ não tem hora p’ra terminar.

Imagem: Fred Moon por Unsplash.

Nathália Corrêa é bacharel em Comunicação Social pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e tem MBA em Marketing Digital. Atua na gerência de marketing e mídias sociais.

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