PAPO DE TERÇA - #BlackOutTuesday: comunicação é um ato político. Por Nathália Corrêa.

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Na minha época de discente da Faculdade de Comunicação Social da UFJF escutei a seguinte afirmativa na aula de semiótica: ‘a profissão de comunicador e jornalista, no geral, é a mais complexa, porque é aquela em que você precisa saber um pouco de cada profissão’. Jamais esqueci pois, para mim, essa frase justifica a razão pela qual escolhi ser jornalista: conhecer um pouco de tudo, mergulhar pelos vários ângulos de uma única notícia e expressar minha opinião seja pela comunicação verbal ou não verbal.

As pessoas, normalmente, criam uma expectativa maior sobre o seu posicionamento quando sabem que você é jornalista. Mesmo não exercendo especificamente essa profissão hoje em dia, nunca perdi essa necessidade de me expressar, pelo contrário, ela só aumentou.

O que me fascina na comunicação é que ela une as pessoas, sem necessariamente, exigir uma presença física. Na mesma frequência, ela também pode distanciar, pois há um poder implícito na palavra que, às vezes, acolhe, fere, aponta, ou reivindica.

Nos últimos dias, não diferente dos últimos anos, no mundo e no Brasil, dois fatos provaram isso: a morte de George Floyd na cidade de Minneapolis, Estados Unidos, e do menino Miguel, no estado de Pernambuco. Apenas dois exemplos recentes de muitos outros fatos em que a comunicação, potencializada pela internet, uniu pessoas. A #blackouttuesday impulsionou uma campanha espontânea nas redes sociais, viralizando o ‘blecaute’ no feed de diversos artistas, influenciadores e apoiadores de ações antirracistas, e do movimento Black Lives Matter.

A comunicação também incomoda, gera questionamentos e impulsiona a dar o primeiro passo para aprofundar conhecimento: o debate!

Comunicar é trocar experiências, opiniões e compartilhar sabedoria. É sobre ouvir antes de falar. É sobre criar suas narrativas e entender que elas não são únicas. É sobre entender o seu lugar de fala e o seu lugar de ouvinte. Comunicação ensina e salva quando o mundo pode condenar. É berro, é verbo, é cura. É a nossa arma e a nossa escolta.

Comunicação transforma. É antônimo de censura. Comunicação forma. Ela está presente na nossa rotina, desde o ‘bom dia’ na esquina de casa, aos pedidos por justiça nas redes sociais ou a declaração do presidente da República. Comunicação é uma prática social básica. Comunicação é um ato. Comunicação é política.

Imagem: Mwangi Gatheca por Unsplash.

Nathália Corrêa – é bacharel em Comunicação Social pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e tem MBA em Marketing Digital. Atua na gerência de marketing e mídias sociais.