FILHOS DA PAUTA - Com a tecnologia, o furo jornalístico morreu? Por Rafael Gmeiner.

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Com o controle das pessoas sobre a disseminação de informação em primeira mão, o jornalista precisa, mais ainda, ser preciso na apuração.

Atualmente, qualquer tipo de informação pode ser veiculada por qualquer pessoa nas redes sociais. Quem não tem um celular sempre à mão para filmar e tirar fotos? Em coletivas de imprensa, especialmente, naquelas que são abertas, vemos diversas pessoas comuns misturadas aos jornalistas, com seus aparelhos ligados.

Aquele tesão de outrora em ser o primeiro a dar um determinado furo de reportagem se esvaiu com o passar dos anos e acredito que todos os jornalistas já se acostumaram com isso.

É por causa disso que os veículos buscam, a cada dia, diferenciais para produzir uma matéria, seja com algo inovador, seja com histórias de superação, seja uma solução perfeita para os consumidores e para a população, por exemplo. Sim! Este é o caminho para a sobrevida do jornalismo.

Contudo, somente isso não basta. É preciso que o jornalista, como mencionei no meu primeiro artigo aqui no O.C.I., tenha seu ofício fundamentado na base do jornalismo: a mineração e a apuração das informações.

Hoje em dia, qualquer um pode disseminar informação. Minerar e apurar corretamente os dados, saber o que e como se vai utilizá-los, e a forma de apresentar isso tudo em uma matéria, apenas nós jornalistas sabemos.

Por isso, é imprescindível que os jornalistas estejam cada dia mais ligados e conectados em buscar respostas e soluções corretas e precisas. A falta de paciência em querer ter uma informação “vendável” para divulgar, é uma arma apontada contra a nossa profissão. Erros de informação que saem nos veículos são cometidos por quem ainda procura o furo de reportagem e sonha em divulgar antes de todos. E nesse balaio entra a questão ética. Ou melhor, a falta dela, uma vez que a notícia divulgada sem uma boa apuração tende a ultrapassar as barreiras entre a verdade e a mentira, o respeito e o desrespeito.

Sendo assim, caros colegas, sobretudo, busquem sempre a verdade. Passamos quatro anos na faculdade aprendendo isso. Só ela pode fazer o jornalismo ficar ileso (se é que isso é possível) e expandir a credibilidade que tanto precisamos ter em nosso dia a dia.

Ser jornalista é buscar a verdade quotidianamente, minerando e apurando as informações com total sensibilidade e informar as pessoas com transparência.

Rafael Gmeiner é jornalista especializado em assessoria de imprensa e produção de conteúdo. CEO da Agência VitalCom e do site Mundo das Franquias, tem mais de 20 anos de experiência em Jornalismo e Comunicação, e mais de 15 anos em assessoria de imprensa. Conta, também, com passagens por jornais impressos, televisão, rádio e sites. E, ainda, acumula 10 anos de experiência com jornalismo no setor de franquias.