Crimes cibernéticos, ciberpandemias e prevenção de crises. Por Ilka Carrera.

Share Button

Os crimes cibernéticos existem há muito tempo, mas aumentaram na medida que cresceu a nossa dependência do uso de internet e conexão em redes. As pragas digitais são divididas em várias categorias, como por exemplo, vírus e vermes. O worm de computador ou verme é um tipo de malware, do inglês malicious software. Trata-se de um programa independente que se replica com o objetivo de se espalhar para outros computadores. Calma, não pense que o texto é um vaticínio doido afirmando que os vírus vão infestar o mundo digital.

Em 2010, o Stuxnet, um malware foi criado para atacar o sistema operacional SCADA desenvolvido pela Siemens para controlar as centrífugas da indústria nuclear. O Stuxnet foi o primeiro worm a ter como alvo a infraestrutura industrial e se espalhou pelo mundo infectando mais de 100 mil máquinas. Ele se infiltrou em sistemas de supervisão e controle das centrífugas de usinas nucleares iranianas, danificando-as, enquanto mostrava na tela de seus operadores a aparência normal do computador e sistemas.

A pandemia do Covid-19 acelerou o investimento em tecnologia e aumentou a dependência da web. O home office e a migração expressiva dos canais de vendas para web despertaram o interesse dos criminosos. Segundo Marta Schuh, superintendente de riscos cibernéticos da corretora Marsh, em entrevista para o JCNET, cada crime tem gerado prejuízos iniciais de R$ 100 milhões às companhias brasileiras. Ela afirma ainda que o medo de ataques dos hackers está fazendo as empresas procurarem seguros com coberturas mais altas.

Os hackers são heróis nas páginas dos livros, como por exemplo, o Neuromancer de William Gibson, que escreveu o romance de ficção científica na literatura punk da década de 1980. Gibson, foi pioneiro a falar de inteligência artificial e criou o termo ciberespaço. Mas somente lá na obra, o Cowboy, como é chamado o hacker do ciberespaço, é bonzinho. Na vida real, ele causa muitos males.

A prevenção de crises – como metodologia de análise e diagnóstico -, precisa se debruçar sobre essa nova modalidade de situação que pode ocorrer nas empresas. Saliento que não se trata de um assunto apenas para o departamento de tecnologia da informação (T. I.), pois um crime cibernético pode parar as operações, causar prejuízos financeiros e até danos à reputação.

E, como eu sempre digo, se pode afetar a reputação da companhia o problema é meu e de todos os profissionais de comunicação, principalmente relações-públicas.

Você conhece os danos que um vírus pode causar? A sua organização está preparada para um crime cibernético ou uma ciberpandemia?

Como vimos, os danos que um crime cibernético podem causar são relevantes e, se a empresa não agir rápido na contenção e resolução, pode desencadear uma crise financeira e/ou crise de imagem pública. Um ataque simples de hackers ou um malware mais poderoso podem parar as operações, ocasionar vazamentos de informações estratégicas e/ou divulgação de dados sigilosos, podem acontecer também publicações indevidas etc.

Aqui vai nossa admoestação: vale a pena investir na prevenção da crise, pois o investimento é bem menor que os custos para resolver a situação e consertar os estragos. É importante mobilizar o time de crises, se houver. Caso contrário, contratar um especialista para montar a equipe, fazer a avaliação das vulnerabilidades, preparar a empresa para impedir os crimes cibernéticos e capacitar os funcionários para evitar os ataques, bem como agir em caso de crime.

Ilka Carrera é relações-públicas, mercadóloga e professora. Mestre em Administração, especialista em Marketing e graduada em Comunicação. Atua nas áreas de comunicação e marketing há 20 anos. Realiza consultorias em gestão de crises, comunicação e marketing há dez anos. Docente desde 2004 nas principais instituições de ensino superior. Administra recém-lançada página no Facebook e Instagram (@crisesecrises).