A sanidade mental social reflete na individual. Por Andréa Nakane.

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Estamos todos doentes!

Tal afirmação não quer ter ar de alarmismo exacerbado ou mesmo pode ser encarada de forma empírica. É uma constatação que cada um de nós, olhando para si, para suas cercanias, para suas redes, pode comprovar, já que a fragilidade da saúde mental está evidenciada, seja por meio de sintomas como depressão, ansiedade e/ou até mesmo pensamentos autodestrutivos. É geral.

Com a chegada da pandemia de Covid-19 – e mais as incertezas da vida -, sejam no âmbito social, corporativo ou pessoal, esse diagnóstico acabou sendo potencializado e, contudo, mesmo que na atualidade exista uma preocupação latente com essas questões, assim como uma variedade de ações voltadas à saúde mental, ainda é muito pouco pela gravidade do panorama.

A comunicação, como elo entre pessoas, deve, então, assumir um papel muito mais produtivo, propositivo e protagonista.

As empresas, marcas e celebridades devem, não só ter consciência desse quadro – que lhes atinge diretamente também, por meio de seus funcionários, admiradores e seguidores -, mas precisam de forma cristalina e contundente levantar a bandeira da saúde mental, sem ser um mero causewashing.

Mais do que nunca é necessário criar ambientes, estimular discussões, promover mudanças e dar apoio a todos os profissionais, independentemente de sua posição e perfil. A problemática em si não escolhe estratificação social, étnica, religiosa, de gênero, econômica. Ela tem, sim, carga “democrática” e pode atingir a todos de forma não seletiva.

As práticas de Responsabilidade Social Corporativa (RSC) ganham novos elementos, além dos que tradicionalmente já eram desenvolvidos. A Comunicação Pública – ainda pouco explorada no Brasil e muitas vezes ainda associada somente, de forma errônea, aos órgãos governamentais – precisa ganhar mais investimentos e atenção para fomentar informações, criação de uma verdadeira rede de apoio e orientações preciosas para superar, desde inicialmente, os malefícios desse estágio doentio.

Iniciar com a comunicação interna é prerrogativa básica, atentando-se aos ambientes hostis das corporações, ao volume de trabalho gigantesco, à falta de sono, instabilidade emocional na convivência em equipe, dificuldades financeiras etc.

A troca de uma cultura competitiva por uma de cunho muito mais colaborativo e a introdução de práticas de uma Comunicação Não-Violenta (CNV) não são soluções utópicas, mas totalmente pragmáticas, exigindo uma responsabilidade mais assertiva e humana.

A comunicação não é a salvadora da pátria, mas tem como ser uma importante aliada no combate à insanidade mental que tem nos deixado atordoados e afastados da essência do bem viver, sem cobranças oriundas de uma sociedade tóxica que se perdeu, mas que pode, ainda bem, se achar de novo.

E para começar… o mês de janeiro é lembrado por ser dedicado à saúde mental, conhecido como janeiro branco. A sua meta é clamar a atenção da humanidade para as questões e necessidades relacionadas à saúde mental e emocional das pessoas e das instituições.

Nada mais adequado, portanto, que iniciar um novo ciclo com essa temática, que não pode ser restrita a 31 dias, mas que deve ser encarada como uma fragilidade de todos, que acaba por atingir cada um de nós, e por isso mesmo deve ser alvo de devidas iniciativas durante todo o ano.

É importante que cada empresa faça um mea culpa e analise os pontos que estão sendo estimulados para evidenciar tal crise e buscar de maneira proativa meios que eliminem ou mitiguem suas condutas nada honrosas.

O combate deve ser de todos, sem exceção, de impulso uníssono, efetivamente, usando todo o amparo da Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) para um cuidado genuinamente interessado em reverter o quadro.

Da forma que estamos não há como a felicidade se alastrar, porque a mesma, como a saúde mental, pode até parecer ser individual, mas na verdade ela só fecunda no coletivo.

Faça um check-up completo, em você, em sua empresa, em suas marcas, no seu posicionamento comunicacional. E reflita sobre isso… sobre seu papel nesse mundo, e que não somos onipotentes e dependemos uns dos outros até mesmo para sobreviver.

É isso que lhe desejo… esse é o meu mais sincero voto para que tenhamos um 2022 muito mais saudável e digno: saúde mental para todos nós, com muita Comunicação Não-Violenta!

Andrea Nakane é bacharel em Comunicação Social, com habilitação em Relações Públicas. Possui especialização em Marketing (ESPM-Rio), em Educação do Ensino Superior (Universidade Anhembi-Morumbi), em Administração e Organização de Eventos (Senac-SP), e Planejamento, Implementação e Gestão da Educação a Distância (UFF). É mestre Hospitalidade pela Universidade Anhembi-Morumbi e doutora em Comunicação Social pela Universidade Metodista de São Paulo, com tese focada no ambiente dos eventos de entretenimento ao vivo, construção e gestão de marcas. Registro profissional 3260 / Conrerp2 – São Paulo e Paraná.