Porque o Observatório da Comunicação Institucional não vai realizar as pesquisas LIDIPPB e IDEO-LOGOS neste ano.

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Vimos, desde 2014, com grande repercussão, realizando a pesquisa LIDIPPB – Leitura Informal do Discurso Institucional dos Partidos Políticos Brasileiros, mas não o faremos neste 2022.

LIDIPPB – quer que eu desenhe?

Demonstramos – graficamente – a Babel política com que convivemos no Brasil: (1) além dos enunciados institucionais das siglas não revelarem os partidos e seus propósitos, (2) a discurseira parece ao eleitor (captamos esta impressão na pesquisa) não distinguir uma das outras. E esta, para nós, é a falha grave mais do sistema – um problema inteiramente atribuído à incapacidade comunicacional dos partidos.

– “É tudo igual…” – declarou um eleitor entrevistado em frente ao campus da UERJ, no bairro do Maracanã.

A cada dois anos, nossos achados têm sempre interessado à mídia e aos leitores em geral pelo ineditismo da proposta – tentar “traduzir” para a população a sopa de letrinhas das nossas siglas partidárias.

Naquela primeira edição, em ano de eleições presidenciais, eram 32 os partidos políticos com registro ativo junto ao TSE – Tribunal Superior Eleitoral. Utilizamos, então, o software Word Cloud para representá-los. Foi pedagógico.

Em 2016 – anos de eleições municipais – já eram 35 as siglas. E registre-se: hoje, há mais de 70 pedidos de criação de novos partidos na pauta da Justiça Eleitoral – algo digno do Guinness Book of Records.

No pleito de 2016, introduzimos uma nova representação gráfica além das nuvens de palavras, a dos IDEO-LOGOS. E a imprensa novamente interessou-se pela inédita forma de analisar as coligações partidárias.

IDEO-LOGOS – a Babel das coligações mapeada

O que a nova forma gráfica fez foi demonstrar a absurdidade das coligações partidárias que se formam para capturar votos em nosso país. Há partidos de esquerda e direita juntos, bem como estatistas e privatistas de braços dados. Resultado: não há gestão pública consistente e coerente possível com tais emaranhados caóticos. Veja e creia.

A coligação vencedora na eleição municipal de Niterói daquele ano (e que reelegeu a situação em 2020), contava com nada menos que 19 partidos políticos. Hoje, o município conta com – pasme – 40 secretarias, 16 administrações regionais, 9 autarquias e 7 coordenadorias municipais. Para que? Para acomodar todo mundo.

Agora, os nossos políticos tiveram a coragem de criar mais um puxadinho (ou puxadão) – além do pornográfico fundo eleitoral (de 5 bilhões de reais, mais o bilhão do fundo partidário): as “federações” de partidos. Se antes as nossas eleições se pareciam com jogos de futebol de várzea, agora, bilionárias, se assemelharão à disputa de uma Copa do Mundo. E a CBF – com seus escândalos – já está rebaixada à categoria “dente-de-leite”.

LAST BUT NOT LEAST

E, ano após ano, a nossa (in)justiça eleitoral (que também custa muitos bilhões – mesmo nos anos sem pleitos) tem colecionado títulos “de arrepiar”. Desde o “fatiamento” do impeachment de Dilma Rousseff às prisões arbitrárias por crime de opinião, passando por querer proibir que os combustíveis tenham preços (que são paritários ao dólar e ao preço do barril de petróleo) minorados em ano de eleições e uma inominável censura prévia de conteúdos na internet.

Consideramos ferida de morte a democracia representativa em nosso país. E os brasileiros – parece – continuam preferindo votar em pessoas ao invés de partidos. É um tal de Fulano da Farmácia, Beltrano do Gás e Ciclano do posto – que não nos deixa mentir.

Revolucionários clamam por… alguma revolução. Evolucionários – como nos consideramos – esperam por um lampejo de razão que faça políticos legislarem contra seus próprios interesses. Difícil. Os primeiros estão satisfeitos porque querem voltar ao poder. Os segundos não podem manifestar seu descontentamento – pois se o fizerem, serão presos pelo meganha de plantão.

NO PAÍS DO “ME ENGANA QUE EU GOSTO”

A corte eleitoral pratica lobbying explícito. Fez partidos mudarem integrantes de uma comissão especial que buscava a aprovação do voto impresso (somente três países no mundo não têm como recontar votos ou auditar eleições) e, agora, faz ouvidos de mercador ao clamor pela contagem pública dos votos. Só 27 dos 513 deputados federais foram eleitos por votos neles depositados. O restante veio através das “listas partidárias”, excrescência irmã da “sala secreta” – aquela que expede resultados de contagem… idem secreta dos votos.

DEMOCRACIA “PARA INGLÊS VER” – aqui, em Bangladesh e no Butão

No Brasil, infelizmente, votamos em A, B e C, mas tomam posse X, Y e Z. Não melhoramos. E prosseguimos como se não houvesse amanhã. Este estado de coisas remete à definição de insanidade atribuída ao gênio Albert Einstein: “fazer mais do mesmo e esperar resultados diferentes”.