Será o conflito inevitável? Por Lucianna Golonni.

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O conflito, por definição, é uma divergência de ideias, de atitudes entre duas ou mais partes. Somos rodeados de conflitos por conta dessas divergências em todos os ambientes nos quais estamos inseridos: família, trabalho, escola, redes sociais, enfim, qualquer cenário que permita interação.

Temos visto ultimamente um visível recrudescimento do conflito por conta de ideologias opostas no país. Em termos de política, houve um fenômeno interessante, pois nota-se a discussão de ideias na internet, porém, numa conversa tête-à-tête tem-se evitado chegar ao assunto.

A pergunta, de todo modo, volta: precisaríamos evitar tocar nos assuntos que incitam paixão? Por que parece ser o conflito sempre inevitável.

Na verdade, é passível de ser evitado sim. E como conseguimos evitá-lo?

O conflito surge por ficarmos cerrados exclusivamente em nossa razão. Lacan dizia que a razão do mal-entendido residia no fato de cada um de nós ficar tão autocentrado e preso nas ilusões da leitura individual das situações, que era impossível abrir-se para ver o que acontecia com o outro indivíduo e sua ilusão. E ilusão no sentido de que cada um de nós nada mais vê do que uma interpretação da realidade segundo nossos próprios valores.

A Comunicação Empática traz um entendimento muito profundo e, ao mesmo tempo, simples para que entendamos como evitar os conflitos. Segundo sua premissa, cada indivíduo sente-se incomodado com determinada situação por não ter suas necessidades atendidas. Os sentimentos de incômodo advêm do fato de não termos acolhidas necessidades que nos trariam bem-estar. Para exemplificar, se um amigo nos liga no momento em que precisamos concluir uma pesquisa, ficamos incomodados, pois precisamos de espaço, de liberdade para fazer a tarefa. Se não precisássemos atender a essa necessidade, a ligação não seria incômoda. Seria até muito bem-vinda, provavelmente.

Esse exemplo simples pode ser amplificado para qualquer circunstância. A raiz dos nossos sentimentos é a percepção de uma necessidade não atendida. E todos nós partilhamos das mesmas necessidades.

Sendo assim, se conseguimos identificar no outro a necessidade que precisa ser acolhida para o seu bem-estar, será possível nos conectar com algo que nos é comum também. E nesse nível podemos compreender uns aos outros.

A Comunicação Empática traz uma luz e uma visão completamente diferente para que possamos enxergar a outra parte com humanidade e sem rótulos. Porém, apesar da sua suposta simplicidade, o ajuste emocional que precisa ser feito para que tenhamos a empatia necessária para reconhecer a necessidade alheia é muito grande. Ao sermos capazes de fazer essa identificação, o conflito dirime-se por si, pois chegamos ao cerne da compreensão do que move a outra parte. Sendo assim, podemos afirmar com segurança de que o conflito é, sim, evitável.

Obviamente não é fácil termos a abertura para olhar para o outro e ‘empatizar’ com suas necessidades não atendidas. Porém, o ganho que se tem para desenvolver essa habilidade nos traz o que de mais precioso podemos conseguir nessa aventura que partilhamos: o autoconhecimento. Sim, pois somente quando entendemos o processo internamente podemos replicar para o outro.
Portanto, é uma viagem de autoconhecimento sem volta. E é nesse momento que entendemos o que afinal estamos fazendo aqui…

Lucianna Golonni é palestrante e consultora em Comunicação Empática. Professora do IDCE Escola de Negócios, é pós-graduada em Negócios Internacionais pela UERJ.