Reflexões sobre o ensino à distância. Por Andrea Yaghdjian.

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O ensino à distância (EAD) já é uma realidade em todo o mundo. Democratizando o acesso ao conhecimento, ele apresenta algumas particularidades que não podem e não devem ser ignoradas. Investir na qualidade desta modalidade de ensino é imprescindível para que a mesma continue a se disseminar de maneira sólida, garantindo também, dessa forma, uma boa reputação e um aumento constante na sua oferta e demanda.

Muitas pessoas, possivelmente, não teriam acesso ao ensino superior se este não se desse de forma remota. Os preços atrativos das mensalidades de cursos superiores é um grande chamariz e também uma grande esperança para pessoas que não podem arcar com os custos de uma graduação presencial – ou moram longe dos grandes centros – mas desejam continuar se instruindo. (HASHIMOTO, 2019, p. 4). É inegável que a modalidade EAD, especialmente em momentos como o atual, de pandemia e isolamento social, está revolucionando a educação de forma permanente. No entanto, existem alguns fatores que precisam ser pensados para que se possa aperfeiçoar cada vez mais a modalidade.

Para que um curso na modalidade à distância seja bem sucedido, é necessário que haja alguma oportunidade de interação e cooperação do estudante com seus tutores e colegas de curso – em aulas ao vivo, por exemplo. Mesmo que a maior parte do curso seja feita de forma autodidata, é muito enriquecedor e estimulador do processo de aprendizagem que o aluno possa participar de debates e trocas de informações. Uma grande vantagem da modalidade em questão é que o aluno aprende no seu próprio ritmo, podendo rever quantas vezes quiser as aulas, que ficam gravadas, revisando assim o conteúdo e fixando-o. Importante salientar que os cursos à distância oferecidos mundo afora dependem muito da disciplina de cada aluno. (HASHIMOTO, 2019, p. 13).

No entanto, de acordo com Oyama, 2011 (apud Hashimoto, 2019, p. 12), o EAD pode fazer com que o aprendizado integral fique prejudicado, ou seja, aconteça de forma superficial. Ele salienta que algumas áreas, como por exemplo, a de exatas, poderia se prejudicar enormemente com o ensino à distância. Além disso, alguns estudiosos defendem que a interação presencial entre alunos, colegas de curso e professores é insubstituível. Quando um aluno opta pelo ensino à distância, estaria automaticamente obtendo uma troca empobrecida de experiências com seu professor e colegas. (FARIA, 2016, p. 3-4)

Em suma, o ensino à distância é uma realidade que veio para ficar. Tem como principais vantagens a inclusão social, a promoção da autonomia nos alunos, o ganho de tempo e dinheiro e a possibilidade dos mesmos de revisar materiais gravados, auxiliando na fixação dos conhecimentos. Como desvantagem, o ensino à distância não conta com a mesma troca direta entre alunos e professores e faz com que os alunos não disponham do fator interpessoal, que também precisa ser desenvolvido. A experiência de ensino-aprendizagem também envolve socialização, através de debates, perguntas, comentários. Além disso, o ensino à distância necessita ser mais fiscalizado e aperfeiçoado, pois no momento, no Brasil, ao menos, é possível notar uma proliferação notável de cursos à distância, que nem sempre oferecem a qualidade necessária para a formação de bons profissionais.

Referências:

HASHIMOTO, Flávio. O ENSINO SUPERIOR E O ENSINO À DISTÂNCIA: DESAFIOS PARA A BUSCA DA QUALIDADE NO ENSINO NESSA MODALIDADE. Curitiba, PR. 2019.

FARIA, Thais. VANTAGENS E DESVANTAGENS DA EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA DE LÍNGUA ESTRANGEIRA. XIII EVIDOSOL e X CILTEC-Online, 2016.

Andrea Yaghdjian é formada em Psicologia e Marketing, com predileção pelo estudo dos campos da Neurociência do Consumo / Neuromarketing. Atualmente, dedica-se a um curso online nessas áreas pela Copenhagen Business School.

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