PAPO DE TERÇA - 'Personal branding': como os novos tempos impactam a gestão da sua vida? Por Nathália Corrêa.

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É difícil escapar do termo ‘novos tempos’ quando a nossa vida e o nosso comportamento tiveram uma virada repentina de hábitos, ambientes, pessoas e até consumo. Por mais clichê que possa parecer, há muitas lições que podem ser aprendidas em meio ao que alguns chamam de ‘caos’ e outros de ‘novo normal’.

Se nos primeiros dias acreditávamos que seria só uma semana de trabalho remoto, depois um mês em casa… em seguida, nos dois ou três primeiros meses, desespero do isolamento, dos noticiários, da pluralidade de vozes e opiniões a respeito do atual cenário, o despreparo físico e estrutural para trabalhar em casa, o despreparo emocional, e até o despreparo de algumas empresas que nunca trabalharam ou coordenaram seus funcionários no regime de home office. Alguns aplicativos de reuniões online que já eram conhecidos por alguns viraram novidade para outros, viralizaram e reforçaram o bordão ‘ mais uma reunião que poderia ser um e-mail ‘. Muitas realidades fragmentadas dentro de um único cenário.

Após quase sete meses criando planos e expectativas para ‘quando a quarentena acabasse’, mesmo que ela já tenha terminado, não oficialmente, mas para alguns, novas rotinas são criadas sem que a gente perceba. É a velha mania de pensar no futuro e esquecer de viver o presente. Dentro da realidade de cada pessoa existem coisas que, certamente, foram tiradas com esse isolamento. Sejam amigos que estão distantes, às vezes, até familiares ou próprio emprego. Mas, podemos e devemos enxergar essa ‘pausa’ forçada como um sinal. Não que eu queira defender alguma crença aqui e nem me mostrar descrente também. Vou explicar. Pensar em voltar a morar na casa dos meus pais, mesmo que por um período, era uma ideia não muito positiva. E, após os sete meses aqui no interior, rodeada de verde, despertando pela manhã com o canto do galo e tendo acesso àquela típica e gostosa comida mineira, sem pagar caríssimo por isso, tomando um café da manhã na companhia dos meus pais… é um sentimento que o meu eu antes desse novo tempo, se assim podemos chamar, não imaginava o quanto seria e está sendo delicioso.

A desaceleração da rotina, a volta para as suas raízes e o passeio pela sua infância faz com que você se conecte com o seu propósito de vida, relembrando tudo que fez com que você saísse dali, construísse a sua carreira e chegasse até onde você está hoje. É um exercício para valorizarmos mais o que faz a gente se sentir bem e no caminho certo e eliminar aquilo que adoece a mente, é estressante e desvinculado com o nosso propósito.

Se, como comunicadores, profissionais de marketing, designers, planejadores e estrategistas de marcas, construímos campanhas, geramos brand lovers, buscamos resultados e vendemos o peixe dos outros, por que não somos capazes de construir e vender o nosso branding pessoal? Uma reflexão para que, após esse período, as coisas não sejam só as mesmas no mundo exterior, mas, também haja uma mudança no interior, reinvenção e melhorias no âmbito pessoal e profissional. Afinal, nós somos reflexos das nossas escolhas, sejam elas pequenas ou grandes.

Imagem: Noah Buscher por Unsplash.

Nathália Corrêa é bacharel em Comunicação Social pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e tem MBA em Marketing Digital. Atua na gerência de marketing e mídias sociais.