PAPO DE TERÇA - Hoje ainda é dia das mulheres? Um manifesto sobre marcas, posicionamento e feminismo! Por Nathália Corrêa.

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Para o mercado publicitário, março é marcado por homenagens no dia 8 e algumas ações que se estendem por todo o mês. Em nenhum outro período do ano se fala tanto em nós, mulheres, porque não existe outra data em que o público feminino esteja na pauta das marcas em diferentes segmentos.

Mas, o dia se torna uma oportunidade para vender, conscientizar ou apenas oportunismo?

Todas as empresas querem fazer algo para não ficar ‘de fora’, isso é certo. Porém, há muitas dúvidas de como se posicionar diante de uma data histórica. O Dia Internacional da Mulher está diretamente ligado à palavra feminismo pela constante luta de nós, mulheres, pela igualdade de gênero. Por isso, o primeiro passo para as empresas é compreender a importância e o significado desse termo.

Sobre o tema, em uma palestra para o TEDXEuston, a autora nigeriana, Chimamanda Ngozi Adiche, abordou o seguinte: ‘Os homens governam o mundo. Isso fazia sentido há mil anos. Os seres humanos viviam num mundo onde a força física era o atributo mais importante para a sobrevivência; quanto mais forte a pessoa, mais chances ela tinha de liderar. E os homens, de maneira geral, são fisicamente mais fortes. Hoje, vivemos num mundo completamente diferente. A pessoa mais qualificada para liderar não é a pessoa fisicamente mais forte. É a mais inteligente, a mais culta, a mais criativa, a mais inovadora. E não existem hormônios para esses atributos. Tanto um homem como uma mulher podem ser inteligentes, inovadores, criativos. Nós evoluímos. Mas nossas ideias de gênero ainda deixam a desejar’.

Considerando essa linha de pensamento, como a sua marca, produto ou serviço contribui para promover essa igualdade? Para responder essa pergunta é necessário mergulhar na visão, missão e posicionamento da empresa, envolver e educar os colaboradores para que as ações de marketing e publicidade não sejam apenas campanhas bonitas e gerem impacto social e, por consequência, a tão desejada venda.

Acompanhei algumas campanhas esse ano e separei duas marcas que se destacaram por transmitirem um conteúdo mais engajado com lutas femininas do que uma ‘homenagem’ para as mulheres.

A primeira foi a FreeCô, marca de bloqueador de odores sanitários, que criou a ação #LimpandoPreconceito com o objetivo de espalhar a ideia de que comentários machistas devem ser limpados da sociedade e da internet. A empresa imprimiu tweets com frases machistas em rolos de papel higiênico e distribui em bares de São Paulo. Homens e mulheres que frequentaram os banheiros dos estabelecimentos foram entrevistados.

Veja como foi a ação neste vídeo!

A segunda é da marca de chocolates Hershey’s, com a ação HerSheGallery que transformou as embalagens das barras de chocolate em um meio de divulgação do trabalho de artistas mulheres. Além disso, a marca também brincou com os pronomes she e her presentes no nome da empresa. Visibilidade é tudo, né?

Veja como ficou bacana a campanha dando play neste vídeo!

Ações que servem de inspirações para nós. Afinal, como publicitários, sabemos que o comportamento do consumidor já mudou há um bom tempo. Pessoas não consomem produtos apenas por consumir. Cada vez mais, o consumidor está procurando empresas que possuem os mesmos propósitos que ele, sejam ambientais, sociais ou políticos. E, como comunicadores, temos uma ferramenta forte para promover mudanças e espalhar a visão que acreditamos: nossa voz! Portanto, podemos fazer com que o dia da mulher e a igualdade entre os gêneros seja uma ação praticada todos os dias do ano.

Imagem: Gabriel por Unsplash.

Nathália Corrêa é bacharel em Comunicação Social pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e tem MBA em Marketing Digital. Atua na gerência de marketing e mídias sociais.

 

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