NOVA COLUNISTA: Giovanna Travensolo - Qual é o papel das empresas na pandemia?

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O período de incerteza e medo que estamos passando em meio a uma pandemia e isolamento social que já dura quase 6 meses no Brasil, nunca pôde ser prevista. Esse período trouxe várias adaptações e mudanças inesperadas na realidade de todos e várias organizações se moldaram e elaboraram maneiras de contribuir.

A relação entre empregador, colaborador e local de trabalho mudou, 77% das PMEs adotaram o home office durante a pandemia e várias empresas já cogitam estender esse novo modelo de trabalho indefinidamente ou adotar coworkings e abandonar de vez o prédio próprio.

É justamente em períodos de incertezas e insegurança econômica que as empresas podem ser agentes de uma mudança e melhora social.

Algumas tornaram gratuitas ou mais acessíveis ferramentas e plataformas que estão sendo muito mais utilizadas por conta do home office, como por exemplo o Google que tornou o Hangouts Meeting (reuniões online) gratuito, além de liberar recursos premium para ajudar no ensino à distância (EAD) e gerar webinars e conteúdos com dicas para o manuseio da plataforma.

Além do setor educacional e tecnológico, outras empresas agiram para melhorias no setor da saúde, doando máscaras, respiradores, e outros materiais de segurança para hospitais e instituições.

Em março, o Burger King declarou que doou parte de seus lucros para o SUS no auxílio de pessoas infectadas e há poucas semanas gigantes da indústria (Ambev, Americanas, Itaú, Stone, Instituto Votorantim, Fundação Lemann, Fundação Brava e Behring Family Foundation) se uniram para doar R$ 100 milhões para a construção de uma fábrica da vacina contra a Covid-19.

Algumas empresas reforçaram medidas para além do escopo econômico que já haviam implementado antes, em prol do bem-estar social nesse momento. O Magazine Luiza em 2019 já havia criado um botão de pânico em seu aplicativo para que qualquer mulher em situação de violência doméstica pudesse acioná-lo discretamente e pedir ajuda. Entretanto, num cenário lamentável de isolamento social, em que os dados de violência doméstica aumentaram o mínimo de 40% por estado no Brasil, tal recurso do aplicativo voltou a ser divulgado e tido como uma forma de auxílio.

Nesse momento tão delicado, todos revimos algumas questões políticas, sociais, científicas, econômicas e tantas outras, inclusive dando mais ou menos importância para certas coisas. Mas é certo que todas as ocorrências advindas dessa situação infeliz, nos fizeram refletir sobre qual é o papel das empresas além do econômico e como estas podem e devem se posicionar e atuar em prol do bem social.

Giovanna Travensolo é graduada em Relações Públicas pela Unesp e pós-graduada pela Escola Superior de Comunicação Social de Lisboa. Nas suas próprias palavras: “movida pelo poder que a comunicação tem e em como ela pode mover mundos – sou uma ‘resolvedora’ de problemas, sempre curiosa e totalmente dedicada a todas as causas e experiências que me envolvo”. Atualmente é analista de encantamento do cliente no ‘Zé Delivery’ e sua missão é gerar atendimento e relacionamento incríveis para os públicos do Zé nas redes sociais.