GOVERNANÇA DA INOVAÇÃO - Governança da Inovação das empresas mais inovadoras do Sul.

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Em meu último estudo sobre Governança da Inovação pude conhecer o trabalho de três das empresas mais inovadoras do Rio Grande do Sul: Usaflex, Marcopolo e Randon.

As três são grandes empresas, com faturamentos gigantescos, inseridas em mercados diferentes, mas todos altamente competitivos. Nestas conversas busquei entender como lidam com o tema inovação para manter-se no topo, apresentando vantagens competitivas frente aos concorrentes, passando pelas crises econômicas e mantendo altos índices de lucratividade.

Em artigos anteriores expliquei os 8 modelos de Governança da Inovação propostos por Deschamps e Nelson (se você ainda não leu, vale a pena dar uma conferida). Abaixo, irei relacionar esses modelos com os trabalhados pelas empresas do Sul.

1o. – O fundador da empresa como precursor da inovação: Este modelo é adotado por empresas como Facebook e Apple, onde seus fundadores foram responsáveis por conceber a ideia principal do produto ou serviço, o que representou um novo conceito no próprio mercado – os chamados negócios disruptivos. Neste modelo, a inovação é a prioridade máxima da empresa e a cultura organizacional é orientada para a temática.

No caso da Usaflex, apesar de seu fundador não ser mais a liderança principal da empresa, as pessoas continuam se inspirando em sua figura, visto que foi o mesmo quem introduziu o conceito de inovação dentro da empresa e trabalhou por diversos anos para que a mesma (a inovação) se tornasse o grande diferencial. Apesar de hoje considerar que a inovação trabalhada na Usaflex seja mais incremental do que radical (ou seja, promovidas pequenas melhorias nos produtos e não grandes invenções), quando a ideia de seus produtos foi lançada ao mercado há quase 20 anos (calçados bonitos, mas confortáveis), houve uma mudança nos hábitos dos próprios consumidores, gerando a necessidade de compra e mudando as prerrogativas da concorrência. Apesar de, na época, o termo disruptivo não estar presente no dia-a-dia empresarial, a inserção dos produtos da empresa no mercado representou uma disrupção no seu segmento de atuação. E, é por isso que o trabalho com metas para a inovação e os programas para incentivo dos funcionários em prol da temática demonstram a orientação da cultura organizacional.

2o. – A alta administração sendo o comitê de inovação: Neste modelo, a inovação é tratada no topo, tornando-se multidisciplinar e tendendo a enfatizar a criação de novos produtos ou serviços, deixando os processos como demandas secundárias. Aplicam esse modelo empresas como Nestlé e IBM.

No caso da Marcopolo, é o conjunto dos diretores, principalmente das áreas de marketing, vendas e engenharia, que verifica as necessidades dos clientes, a demanda do mercado e as tendências internacionais para então aprimorar produtos. A empresa é bastante focada nas melhorias incrementais e tecnológicas de seus produtos, buscando sempre analisar o mercado no qual cada produto será inserido para então oferecer soluções que estejam alinhadas aos problemas que aquele local precisa resolver. A empresa introduz uma nova tecnologia em seus produtos sempre que isso faça sentido, e não apenas para dizer que o mesmo é altamente tecnológico. A Marcopolo prioriza três coisas: qualidade, competitividade, e atendimento da realidade. Se o projeto não cumprir com esses três requisitos, não é aprovado orçamento para sua execução. E isso se dá pelo fato de que a empresa já errou em colocar um produto muito sofisticado num mercado que não estava preparado. O mercado reconhece os benefícios, reconhece a qualidade, mas não tem condições financeiras para adquiri-lo – portanto não está condizente com a realidade.

3o – A alta administração sendo o comitê de inovação e o Departamento de P&D e Tecnologia: A Randon se utiliza de dois modelos de Governança da Inovação (sim, é possível; o grande diferencial da Governança da Inovação é justamente adaptar os modelos para a sua realidade).

As inovações organizacionais e de mercado são promovidas pelo comitê executivo, formado por membros da diretoria executiva e ligado ao Conselho de Administração. E a responsabilidade pela inovação dos produtos é exclusivamente do departamento de Pesquisa, Desenvolvimento e Tecnologia.

Empresas que trabalham com a estrutura do Departamento de P&D e Tecnologia, investem fortemente em pesquisa e desenvolvimento e, por isso, este departamento se torna o ponto central da inovação. Este modelo é bastante comum em países como Japão, Alemanha, Suíça e Suécia, onde existe uma forte tradição em tecnologia e engenharia, sendo bastante utilizado em empresas do ramo automotivo. A Randon está inserida no ramo automotivo, então faz todo o sentido o uso deste modelo de governança da inovação.

Para finalizar, quando questionei as empresas sobre quais seriam os maiores desafios para a governança da inovação, as três foram unânimes em suas respostas: o maior desafio é encontrar pessoas que tenham o ímpeto da mudança, que não tenham medo de arriscar e buscar a inovação (desafio em todos os setores, não?).

Tamiris Dinkowski é entusiasta e apaixonada por governança, inovação e o mundo das startups. É Contadora formada pela UFSM, especialista em Controladoria e Finanças pela PUCRS. Atua há mais de 5 anos com governança e gestão da inovação.

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