NOVA COLUNA - 'CONEXÕES' - Dados: novas fontes a serem entrevistadas. Por Patrícia Silva.

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Estrear em uma coluna no Observatório da Comunicação Institucional é algo que muito me alegra, mas também traz aquele ‘friozinho na barriga’ digno de qualquer evento importante. É grande a responsabilidade de trazer conteúdo que agregue e provoque a reflexão naqueles que vêm até aqui com a intenção de consumir informações de qualidade. Minha expectativa é poder compartilhar algumas reflexões sobre temas que figuram como novos horizontes e se conectam no universo da Comunicação, seja na esfera da Comunicação Pública, do Jornalismo, da Comunicação Organizacional, e também acerca das inquietudes profissionais.

Por ora, quero refletir sobre uma ‘nova’ fonte com as quais os jornalistas têm se deparado em suas apurações. Embora o Jornalismo de Dados não seja realmente uma novidade, é um campo que está em efervescência nas redações, nas assessorias, entre os profissionais.

Reitero que o tema não é novo, pois em 1973, Philip Meyer já havia publicado ‘Precision Journalism’, onde defendia a aproximação entre Jornalismo e técnicas de pesquisa quantitativa em Ciências Sociais. Dá para ir até um pouco mais longe e falar sobre o mapa da Cólera, produzido em 1954, em Londres, pelo médico John Snow – o qual já trazia elementos do que hoje denominamos de ‘visualização de dados’ (cabe uma rápida pesquisa no Google para você saber mais sobre este caso).

O principal aspecto do Jornalismo de Dados é a enorme quantidade de informações que passaram a ficar acessíveis com a atual dimensão e disponibilidade de dados digitais. Atualmente cada um de nós é produtor de uma quantidade infindável de dados. Cada busca nos navegadores, cada mapa acessado, cada aplicativo, cada mensagem, cada post… Tudo vira dado digital. Portanto, quando estes dados servem a um interesse público, temos aí novas fontes a serem entrevistadas.

Gosto da definição do ‘Data Journalism Handbook’, publicado em 2010: Jornalismo de Dados é ‘um novo conjunto de competências para buscar, entender e visualizar fontes digitais em um momento em que os conhecimentos básicos do Jornalismo tradicional já não são suficientes. Não se trata da substituição do Jornalismo tradicional, mas de um acréscimo a ele’. Portanto, jamais o ‘faro jornalístico’ e as premissas do bom e velho Jornalismo profissional serão deixadas de lado. Continua sendo fundamental apurar diversas fontes, avaliar os possíveis vieses de quem fornece a informação, checar, ‘rechecar’ e checar mais uma vez!

Como qualquer área do conhecimento e qualquer profissão, é fundamental adquirir novas competências, desbravar novas formas de trabalho e, especificamente aos jornalistas, aprender a entrevistar cada vez melhor as nossas novas fontes: os dados.

Patrícia Silva é jornalista, especialista em Comunicação Corporativa e está sempre em busca de expandir seus horizontes, buscando entender e ampliar as conexões entre a Comunicação e as mais variadas áreas do conhecimento.