Bandeiras, influenciadores, cancelamentos: quando e como as marcas devem se posicionar. Por Kelly Helena.

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Ainda há muita dúvida a respeito de se e como as marcas devem se posicionar diante de temas relevantes para a sociedade, como por exemplo, o racismo, a homofobia e a política.

Em meio a #vidas negras importam, #todasasvidasimportam, #antifascistas, #antirracistas, #EleNão, #EleSim e tantas outras bandeiras sendo levantadas, como as marcas devem se posicionar?

Há quem critique as marcas neutras, há quem critique as que se posicionam, há quem critique as que se posicionam apenas para entrar na onda.

Mas, uma pesquisa feita pela Accenture, ‘Consume Pulse Survey’, apontou que 83% dos consumidores brasileiros preferem comprar de empresas que se posicionam e defendem propósitos alinhados aos seus valores de vida.

Essa pesquisa foi realizada em 2019, antes da pandemia, antes dos protestos contra o racismo nos EUA e no mundo, e antes do cenário político nacional estar tão abalado.

E por aí já vemos como a população num todo vem se preocupando mais com assuntos ligados ao social, como apontado pela pesquisa em que mostra que 79% dos consumidores brasileiros querem que as empresas se posicionem em relação a assuntos como política, cultura e meio ambiente.

Mas não são só as marcas vêm sendo cobradas. Seus influenciadores também. Visto que eles são uma extensão do que as marcas representam vêm sendo cobrados na mesma medida ou até mais.

Como a pandemia trouxe muito mais pessoas para a internet, deu mais visibilidade a grandes e pequenas marcas, isso gerou uma enorme demanda de conteúdo, já que agora tudo acontece online.

O que acabou por deixar mais em evidência as ações das marcas e de seus influenciadores que agora são cobrados por suas comunidades.

A sociedade parece que se cansou da superficialidade das celebridades que muitas vezes não têm qualquer conexão com as empresas, e buscam pessoas que não só representem as marcas mas tenham identidade com a comunidade a que elas atendem.

Com tudo isso, surgem novas estratégias de influência e produção de conteúdo. Sai o influence marketing e entra o creator marketing, este, muito mais atraente e representante das marcas.

Quando as marcas decidem se posicionar – através de influenciadores ou não -, correm o risco de não agradar certa parte do público que já têm e uma parcela de possíveis clientes.

E isso é ruim? É, quando essa marca não conhece seu público.

Na verdade, muitas empresas acabam se comprometendo e tendo seus valores investidos e questionados porque não conhecem verdadeiramente seu público e por tomarem decisões no impulso do momento em que os questionamentos surgem.

Para que isso não aconteça e sua marca não tenha a imagem deturpada por se posicionar ou não se posicionar, antes de qualquer ação, a empresa deve ter muito bem estruturadas suas personas, seu público, sua missão, visão e valores.

Quando o planejamento de marketing está bem alinhado com o da empresa e o que ela representa, sabe-se exatamente onde e quando se posicionar, independente do tema e disso custar alguns clientes ou potenciais clientes.

Não existe certo ou errado quando se fala em posicionamentos de temas polêmicos ou do momento, mas para que isso não custe a imagem da marca é preciso uma comunicação eficiente.

A marca que sabe o que é e o que – e a quem – representa, sabe a hora de falar pelos seus!

Imagem: Freepik.

Kelly Helena é formada em Jornalismo pela Unitau, tendo trabalho em jornais impressos, TV, revista, assessoria de imprensa e há mais de cinco anos no Marketing Digital, sendo especialista em conteúdos inbound.