A importância de estabelecer limites. Por Lucianna Golonni.

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A comunicação não-violenta (CNV) está sustentada em duas bases principais: autenticidade e autorresponsabilidade. A primeira relaciona-se à expressão autêntica do que sentimos, e a segunda refere-se ao sentido de saber responsabilizar-se pelos próprios incômodos, no sentido de ter a percepção de que tudo o que nos incomoda tem como raiz questões internas, e não externas.

Esses dois pilares que aprendemos na CNV são responsáveis por um enorme crescimento da nossa inteligência emocional. Em especial, neste artigo, vamos tratar da autenticidade, pois este pilar é o que sustenta a necessidade de estabelecer limites. Ao dizer exatamente o que precisamos para o nosso bem-estar, estamos preservando o que nos faz bem no momento. E isso é normalmente um grande desafio para a maioria das pessoas.

A dificuldade de dizer o que precisamos reside na intenção de agradar ao outro. Como, ao dizer não para alguém, temos medo de magoar a outra parte, acabamos, muitas vezes, por acatar o que o outro quer que façamos, ainda que não estejamos de acordo.

O grande problema é que achamos que fica tudo bem em suprimir uma vontade que nos é cara pelo simples fato de não desagradar a alguém. Porém, o que precisamos aprender é que, ao dizer não ao outro, dizemos sim para alguma necessidade nossa. E, ao pensar que funciona simplesmente deixar de atender algo importante para si em benefício do que é relevante para o outro, estamos deixando aquele descontentamento tomar conta de nós.

Não existe absolutamente nada que se possa esconder, pois todas as emoções ficam represadas e nos fazem reféns. Por isso, em algum momento, aquele incômodo vai ser revelado. E na maior parte das vezes, ele se projeta em forma de cobrança no relacionamento com aquela pessoa a quem dissemos o ‘sim’, antes. Qualquer emoção não trabalhada nos atormenta, pois nos sentimos indignos na relação e vamos cobrar do outro de alguma forma o ‘não’ que demos a nós mesmos.

Dessa maneira, é importante a consciência das nossas ações, pois quando não somos capazes de dar limites aos outros, e tomamos essa atitude de forma simplista, sem refletir sobre por que estamos abrindo mão de algo, estamos somente adiando um problema. O custo emocional que será colhido – seja por um problema posterior na relação ou por conflitos internos de falta de autoestima – é muito alto.

A situação ideal é que sejamos capazes de dizer não da melhor forma possível, expressando o que precisamos de forma clara. Para tanto, precisamos dizer como nos sentimos diante de tal situação e também que necessidades precisamos acolher ao dizer ‘não’ a outra pessoa. Assim, fica muito mais fácil que ela entenda seus porquês – e isso evita o conflito.

Evidentemente esse processo faz parte de um aprendizado que requer, inicialmente, que saibamos reconhecer o que nos traz bem-estar, somado à capacidade de expressar verdadeiramente o que sentimos. Nenhum dos dois casos é fácil, pois temos uma enorme dificuldade de saber o que queremos e de dizer o que é importante para nós. Porém, o ganho emocional para nossa paz interior e, consequentemente, para as nossas relações, vale todo o esforço de começarmos essa jornada de autoconhecimento.

Lucianna Golonni é palestrante e consultora em Comunicação Empática. Professora do IDCE Escola de Negócios, é pós-graduada em Negócios Internacionais pela UERJ.

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