A importância de dizer não para preservar a área de comunicação. Por Giovanna Travensolo.

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Você costuma dizer não? Já parou p’ra pensar sobre isso? Será que ‘não dizer não’ está culturalmente relacionado com a área de comunicação ou é um reflexo das condições atuais?

Atualmente, com os novos desafios que as empresas e as pessoas estão enfrentando frente a uma pandemia e às novas adaptações do ambiente de trabalho no isolamento social, muitas coisas mudaram. Várias empresas estão considerando o modelo home office vitalício, várias organizações estão aceitando contratações apenas pelo modelo PJ (Pessoa Jurídica) e muitos profissionais, desempregados temporariamente – com vontade de empreender sozinhos ou até mesmo para complementar a renda -, resolveram embarcar no mundo do freelance.

Encontra-se uma oferta enorme de profissionais freelancers da área de comunicação em diversos sites, grupos e até nas recomendações boca-a-boca, e é incrível saber que há tantas pessoas capacitadas e qualificadas prontas para oferecer seus serviços.

Mas, hoje também é muito fácil encontrar uma imensidão de ‘especialistas em marketing digital’, mesmo que não haja nenhum curso que comprove tal especialidade. Há o sentimento de que qualquer um pode, de um dia para o outro, às vezes com um curso simples ou sem nenhum curso e conexão com a área, se tornar um expert em comunicação e marketing – e cobrar por isso.

Somados esses fatores ao momento difícil que o mundo está passando, e consequentemente a maior dificuldade de conseguir empregos, a profissão de comunicação está muito desgastada e desvalorizada, pelos próprios profissionais e pelos contratantes.

Essa desvalorização acarreta em inúmeras consequências negativas para toda a classe: ótimos profissionais com remunerações baixas, a necessidade de adquirir com profundidade conhecimentos técnicos de ao menos 3 áreas diferentes para poder concorrer a qualquer vaga, além da necessidade constante de se provar por diversos meios (portfolio, currículo, resultados, explicações, e até oferecer um período de trabalho gratuito para comprovar a eficácia).

Então, fica a reflexão:

Será que não dizer não por todos esses medos e fatores não está prejudicando cada vez mais a área de comunicação no Brasil? Ou será que o cenário nacional está tão desvalorizado que já não existe outra maneira de exercer a profissão?

Giovanna Travensolo é graduada em Relações Públicas pela Unesp e pós-graduada pela Escola Superior de Comunicação Social de Lisboa. Nas suas próprias palavras: “movida pelo poder que a comunicação tem e em como ela pode mover mundos – sou uma ‘resolvedora’ de problemas, sempre curiosa e totalmente dedicada a todas as causas e experiências que me envolvo”. Atualmente é analista de encantamento do cliente no ‘Zé Delivery’ e sua missão é gerar atendimento e relacionamento incríveis para os públicos do Zé nas redes sociais.