O humano como presente e futuro. Por Rodolfo Araújo.

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A pandemia do Covid-19 feriu dramaticamente a saúde pública e o bem-estar econômico dos indivíduos, não deixando nenhuma geografia ou indústria intocada. Com os impactos finais desconhecidos, grande parte da sociedade vive dias cercados de preocupação e medo.

Mesmo diante de histórias perturbadoras, no entanto, vale a pena pensar nos aspectos humanos que mostraram alguma positividade neste capítulo da nossa história. Este, sem dúvida, testa diariamente a resiliência do espírito humano capaz de inspirar a compaixão, generosidade e engenhosidade que, (in)felizmente, somente uma crise pode produzir.

De fato, estamos vendo líderes, empregados e organizações se destacarem, respondendo à pandemia com um firme compromisso de colocar a segurança e o bem-estar de seus funcionários em primeiro lugar. Eles estão vivendo seus valores; evoluindo rapidamente para atender às necessidades emergentes; criando novas soluções para os funcionários e cumprindo seus compromissos com a sociedade e o mundo. Além disso, estão repensando o futuro.

Em um período em que as regras tradicionais não se aplicam mais e as normas são negociadas diariamente, é hora de definir os parâmetros do que estão chamando de ‘novo normal’ a partir do que é mais importante: as pessoas. Um forte senso de prontidão, que combina capacidade de se recuperar e preparação para o futuro, determinará os primeiros a emergirem com força deste abalo sísmico.

Os responsáveis nas empresas por pessoas, cultura e mudança estão no centro da resposta corporativa ao Covid-19 – desde liderar uma transição para o ambiente remoto da noite para o dia, implementando medidas para garantir a segurança dos trabalhadores da linha de frente, passando por difíceis decisões sobre a continuidade dos negócios.

Nas próximas semanas, CEOs e conselhos tomarão decisões difíceis sobre prioridades estratégicas, oportunidades, vulnerabilidades operacionais, sistêmicas e culturais. Transformações dessa natureza e de longo alcance devem ser lideradas por aqueles que articulam como uma organização e suas pessoas entendem e se adaptam às mudanças.

Algumas questões podem contribuir para que esta reflexão comece já: que novas expectativas os empregados terão para o relacionamento com suas empresas no pós-Covid e como os empregadores podem atender à demanda? Que normas culturais estão surgindo em um ambiente de trabalho amplamente remoto e como os empregadores podem codificar o positivo e “desaprender” o negativo? De que recursos de gestão de mudanças as organizações preparadas para o futuro precisarão para responder a ameaças comerciais ainda não imaginadas?
Numa época em que pessoas e organizações são particularmente vulneráveis, há muito a ganhar com a proatividade. Vencerão aqueles que não estão apenas antecipando o futuro, mas aproveitando as oportunidades para moldá-lo a cada passo ao longo do caminho.
Rodolfo Araújo é Vice-presidente para América Latina da consultoria United Minds. Jornalista e Mestre em Comunicação pela PUC/SP, especialista em Gestão do Conhecimento pela FGV e Estratégia pelo Insead. Pós-graduado em Literatura pelo Instituto Vera Cruz. Autor do livro de ficção ‘Do que fica pelo caminho’ e das peças ‘Cortes’ e ‘corpo:mente’. Vencedor do Prêmio Editora Globo de Jornalismo 2011 na categoria Educação e Cultura.

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