NOVA ARTICULISTA: Ana Morais - O futuro do trabalho na maior cidade do Brasil.

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O aniversário de São Paulo em 25 de Janeiro é sempre uma data a se comemorar em muitos aspectos: a cultura pop, a vida célere e agitada, o coração econômico do país, a tecnologia e a inovação dos parques empresariais etc.

Mas há um futuro laboral também nessa cidade que impacta amplamente a cultura de trabalho no Brasil quase todo e que tem estado no centro da mídia e da comunicação em geral.

Esse futuro, profundamente mediado por tecnologias próprias e embarcadas e por diálogos e discursos das ideias do trabalho, começa a fazer sentido a partir do momento em que dita as certezas, tendências e outputs em geral no mundo do trabalho no país.

Como centro econômico nacional, a cidade de São Paulo representa muito do ideário de economia do trabalho e seus desdobramentos sociais. Representa ainda, até um certo ponto, o centro da difusão de ideias relativas aos principais componentes das correntes de economia e trabalho e, com isso, assume uma importância considerável diante do país já que acessa em ampla mão as principais tendências também internacionais.

Uma dessas principais ideias tem a ver com a tecnologia e a inovação, pilares do atual modelo de trabalho e elemento fundante da cultura startup. Pelo menos nos últimos dez anos, a cidade de São Paulo tem sido berço da cultura startup, principal local de eventos ligados a tecnologia e inovação e o principal provedor de editais e prêmios para fomento da inovação e tecnologia aplicada ao ambiente corporativo.

Tais eventos somados aos milhões de reais investidos nesta área do conhecimento criou um excelente cenário para a criação de cada dia mais iniciativas de tecnologia e comunicação baseadas no princípio do ensaio e erro. Muitas delas se sobressaíram, outras desapareceram com a mesma velocidade com que foram criadas, mas todas elas fazem parte do legado da tecnologia e trabalho para o futuro do Brasil.

Não estamos tratando apenas de empresas, mas da cultura do trabalho mais ampla e geral, cujas implicações no modo de vida de milhares de pessoas na maior cidade do país deve ser levada em consideração. E esse modus operandi vai sendo difundido e copiado em muitas outras partes do Brasil, modificando constantemente as percepções, visões e decisões de trabalho, sempre com base nos princípios mais valorizados aqui, embora nem sempre estejam certos e apresentem equívocos teóricos e práticos, como aliás em tantas outras parte do mundo.

Mas o fato é que dezenas de anos dessa cultura de comunicação e trabalho centrada em São Paulo terminaram por consolidar interessantes percepções e ideias sobre competências, competitividade, estratégia e resultado e, num curto espaço de tempo e pesquisa, é possível observar como a difusão desse ideário se espalhou pelo Brasil de norte a sul e como variadas empresas de todo porte buscam em São Paulo a fonte de onde bebem as tendências que se tornarão as ações e orçamentos de cada ano fiscal.

Essas ideias resultaram, numa breve análise, em uma estrutura de trabalho aqui cada vez mais fluida (até frágil, talvez), incerta em relação aos direitos e proteção do trabalhador, orientada para resultados rápidos e de baixo custo (como quer toda empresa do mundo) e nitidamente definida pelas tecnologias usadas. O aspecto político também pesa, mas sempre no viés econômico e oscilando em diferentes lados do poder.

O mundo dos aplicativos encontra aqui o seu oásis e cada dia mais as pessoas se desdobram em esforços para alcançar o “melhor de si” e garantir o seu lugar ao Sol na paulicéia desvairada, mas também, na busca de carimbar um passaporte para o sucesso.

Culpa do Cabral? Não! Já é hora de criarmos a nossa própria cultura de trabalho reconhecendo as potencialidades e diferenças de um país tão grande e com tantas diferenças sociais e culturais. Claro que é bom manter os olhos bem abertos para os fatos corporativos internacionais, mas podemos criar uma cultura de trabalho mais humana e com resultados sustentáveis se olharmos para dentro e para frente. E essa grande capital tem lugar central nisso de novo e com certeza consegue puxar esse movimento!

Ana Morais é mestre em Desenvolvimento e Formação de Pessoas pela UPE, executiva senior em educação, consultora, escritora, palestrante e especialista em desenvolvimento de equipes de alta performance e nos temas de educação e trabalho. Especialista em Competências, é coautora do livro “Equilíbrio emocional em tempos de crise”, pela Editora Laços. IN – https://www.linkedin.com/in/ana-morais-497b8668 | Insta: @anamoraisedu