Mais do que um vale sutiã. Por Por Cinthia Flôres.

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Eu, como a maioria das meninas, comecei a usar sutiã por volta dos 12 anos de idade.

Lembro-me – como se fosse hoje – da propaganda “o primeiro sutiã a gente nunca esquece”. Eu não esqueci, era branco com rendas e me coçava muito. Comprei para um evento especial. Fui eu que escolhi. Depois, passei a usá-lo diariamente até virem os outros sutiãs dos quais não me lembro mais… qual foi o segundo, o terceiro, e assim por diante.

Trago isto para lembrar, segundo a PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios – Contínua), que desde 2019 o número de mulheres no Brasil é superior ao de homens. A população brasileira era, então composta por 48,2% de homens e 51,8% de mulheres.

Somos um pouco mais de 3% da população masculina e, portanto, ajudamos mais na economia, somos a maioria.

E a coisa não para aí. Temos mais de 6% de tempo de escolarização que os homens, na faixa dos 25 a 44 anos de idade; 21,5% das mulheres completam a graduação, contra 15,6% dos homens. A graduação é, ou deveria ser, um estímulo à entrada no mercado de trabalho e com um salário melhor. Mas… o que acontece? Dos 12 milhões de desempregados, segundo a última pesquisa do IBGE/2022, a desocupação dos homens está em 9%, enquanto que a das mulheres é de 13,9%. Somos mais de 4% da população sem emprego, comparada aos homens. Mais estudadas e com menos empregos… Opa! Universidades para que? E tem mais: os homens, naquele ano, tiveram rendimento médio mensal 28,7% maior do que das mulheres, considerando os ganhos de todos os trabalhos.

Agora indago, como se fosse simples, como vou comprar meu sutiã, peça que sustenta minhas mamas? Até quando o mercado de trabalho vai ignorar que nós mulheres usamos uma peça a mais no vestuário do que os homens? Só por isto deveríamos ganhar mais em salário? Hum…

Existem sutiãs a partir de R$ 30,00 a R$ 260,00 à venda no comércio. Sua durabilidade para segurar nossos peitos (maiores do que os dos homens), e que nos deveriam dar coragem para brigar por empregos e melhores salários, é de 6 meses a dois anos. Temos mais de um sutiã em nossos guarda-roupas, é verdade. Sutiã para trabalhar, para um evento social, para uso na academia, para amamentar, sutiã com bojo, para os momentos eróticos e até para dormir, se for o caso.

Não estou propondo para os homens a experiência de usar sutiãs. Quero dizer que algo está errado; o marketing inteligente já deveria ter apontado isto aos empresários e aos setores de recursos humanos que determinam os cargos e salários das empresas… Ou estão todos se fazendo de cegos?

O vale-absorvente já é uma realidade nas escolas. Melhor do que adotar o vale-sutiã seria, de uma vez por todas, o mercado reconhecer os indicadores acima, e admitir nosso valor pessoal e de mercado.

Mulheres, usemos os peitos, já é hora!

Cinthia Flôres é relações-públicas (2076/RS/SC) pela Feevale, tem experiência em planejamento e realização de eventos internos e externos, assessoria de imprensa, relações públicas, vendas, magistério, coordenação de equipes, atendimentos a clientes pessoa física e jurídica, relações governamentais e comunicação corporativa/institucional.