Sobre piar no Brasil... Por Manoel Marcondes Neto.

Share Button

1) Reforço o uso da sigla RP ao invés de PR no Brasil por uma questão de anti-colonialismo e porque este uso, muitas vezes, quer disfarçar o repúdio pela profissão regulamentada no país, franqueando o exercício de PR a qualquer um. Recente campanha da própria ABRACOM – ‘Somos Todos Comunicação Corporativa’ – baseou-se neste mote.

2) A incompreensão sobre comunicação institucional e a incompetência no ensino desta disciplina (apesar da mesma ser a única especialidade de relações-públicas por lei) – é um problema que não afeta os países anglófonos, onde o cidadão comum sabe diferenciar um ‘statement’ institucional de um comercial.

3) PR – nos países anglófonos – é sinônimo de ‘media relations’ (relações com a mídia, sucedâneo mais amplo de relações com a imprensa). Assim, aliás, nasceu a profissão, a partir de um jornalista – Ivy Lee – que, ANTES, abandonou a Redação para, então, oferecer seus préstimos às organizações necessitadas de ‘publicity’ (divulgação).

4) Em Portugal, pátria-mãe da lusofonia, é crime tipificado um jornalista praticar a ‘dupla militância’, ou seja, traficar sua influência junto às Redações para beneficiar ‘clientes’. (Deveríamos adotar este parâmetro no Brasil, em minha opinião). Justiça seja feita; a ABRACOM condena a ‘dupla militância’.

5) No Brasil, único país onde tem sentido a expressão “assessoria ‘de imprensa’ (sic)”, esta atividade foi assumida historicamente por jornalistas. Daí a expressão – e até denominação de uma associação – de jornalistas-em-assessoria (JAI). Não sendo tipificado o ilícito da dupla militância tal modelo se perpetuou (e eu, por exemplo, ‘não brigo mais esta briga’ desde 2008).

6) O estatuto acadêmico da área em nosso país privilegiou outras atividades no âmbito da formação (e exercício) das Relações Públicas. Isto está bem demonstrado no célebre diagrama circular proposto por Margarida Kunsch em 2003, na edição revisada do livro originado em sua dissertação de mestrado (de 1986) – o qual explicita o modelo compreensivo da Comunicação Integrada. Ali, assessoria de imprensa é apenas uma atividade em 17 listadas pela professora que, aliás, foi minha orientadora no doutorado, a quem muito admiro e sou grato.

7) Em 2012, a partir de minha imersão nas questões do ensino de RP como coordenador da Comissão Acadêmico-Científica do Conrerp1 (visando colaborar com as novas Diretrizes Curriculares Nacionais – então em gestação no MEC), propus um passo adiante na compreensão da abrangência das RP brasileiras – analisando-as pelo viés das demandas e não mais das ‘tarefas’ – e representando-as com o composto de ‘4 Rs’ do que chamei de ‘Relações Públicas Plenas’ – Reconhecimento / Relacionamento / Relevância / Reputação. E listei, em diagrama, 24 atividades distintas – sendo ‘Divulgação’ (Publicity), apenas uma delas. Tal modelo foi publicado em livro – adotado em concursos públicos recentes – que foi traduzido para o idioma inglês justamente para explicar ao mundo o caráter absolutamente holístico que preside a formação dos RPs brasileiros. E o termo ‘Relações Públicas Plenas’ foi traduzido pela expressão ‘Full PR’ – como não poderia deixar de ser. A seguir – link para o diagrama de ‘4 Rs’ traduzido – www.fullPR.net

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *