A sopa de letras que traduz 32 legendas aptas a disputar as eleições de 2014 no Brasil está aí, parece, para causar uma indigestão 'democrática' no eleitor.

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Esta nota segue e complementa a nota de ontem, intitulada “Candidaturas auxiliares… ou fumaça nos olhos do eleitor?”.

Notícia extraída do jornal O Globo, edição de 27/11/2013 (P. 4)

Rede de interesses: dono do Saint Peter tem concessões do governo. Empresário e o irmão, presidente do PTN, têm processos tramitando no Ministério das Comunicações.

Paulo Masci de Abreu, um dos sócios do Hotel Saint Peter, é irmão do presidente do PTN, José Masci de Abreu. A legenda nanica integra a base aliada da presidente Dilma Rousseff. Na composição societária, Paulo aparece apenas com um capital de R$ 1 – os R$ 499.999 restantes pertencem a empresa de companhias hipotecárias do Panamá, a Truston International.

Tanto Paulo quanto José são sócios de emissoras de rádio em São Paulo. O sócio do Saint Peter tem interesses diretos no governo federal: processos relacionados às rádios, inclusive concessão de outorga, tramitam no Ministério das Comunicações. A pasta, inclusive, abriu um processo administrativo para apurar supostas infrações cometidas pela Rádio Kiss FM Ltda.

Suspeitas também levaram o Ministério Público Federal em São Paulo a instaurar um inquérito civil público para investigar o grupo de comunicação de Paulo Masci, em especial as rádios Kiss, Mundial, Tupi, Scalla e Terra. A suspeita é de concessão de outorgas em duplicidade, “em um mesmo tipo e em uma mesma localidade”. O inquérito foi instaurado em abril de 2012. Na Rádio Kiss, Paulo tem sociedade com Raul Rothschild de Abreu, que aparece como administrador responsável pelo Hotel Saint Peter.

COMENTÁRIO

Mais uma sigla partidária, mais laranjas, mais uma relação perigosa entre o público e o privado, mais um tentáculo da corrupção e do tráfico de influência em Brasília.

Agora são os empregadores do ex-ministro de José Dirceu – gerente administrativo (cadê o Conselho Regional de Administração, que não fiscaliza exercício profissional irregular neste hotel?) de 20 mil mensais que se subordina a uma gerente geral de 1.800 reais mensais – que têm outros interesses (até na área das comunicações) na esfera do governo federal.

Que coincidência!

E, há dez dias atrás, mais do mesmo:

Notícia extraída – parcialmente – do jornal O Globo, edição de 17/11/2013 (P. 9)

Depois do caos aéreo, a volta de Denise Abreu.

Depois de se tornar símbolo do caos aéreo, em 2007, a ex-servidora do governo Lula diz que virou bode expiatório e anuncia que está pronta para voltar à política, na versão de candidata à Presidência pelo PEN (Partido Ecológico Nacional).

O PEN vive rebelião interna para que haja primárias para presidente. Denise promete entrar em juízo para disputar vaga e participar de debates.

Existente há um ano, o PEN, que se define como “partido focado na sustentabilidade e de centro”, tem como presidente o ex-deputado Adilson Barroso; foi ele quem chamou Denise para integrar o grupo.

– Eles queriam que eu concorresse à deputada federal ou à senadora por São Paulo, e eu aceitei. Mas isso porque o Barroso falava que a Marina (Silva) poderia vir para o PEN caso a Rede não vingasse como partido. A Marina não veio e abriu-se um vácuo. Vácuo que me acho qualificada para preencher – declara Denise…

Barroso diz que o partido, que terá 1h15min de TV na campanha presidencial de 2014, lançará, sim, um candidato único ao Palácio do Planalto. O problema é quem será este nome. Denise defende a realização de primárias, e boa parte dos diretórios regionais a apóiam. Segundo ela, o PEN vive uma “rebelião interna”. Já Barroso diz que, além dele próprio ser pré-candidato, já havia defendido outro nome, o do empresário Bertolino Ricardo. Segundo ele, o estatuto do partido prevê que a indicação do candidato presidencial seja apontado (sic) somente pela cúpula, mas diz que vai respeitar a vontade da maioria dos partidários (sic).

– Acho o meu projeto mais nacional do que o de deputada ou senadora, por isso quero ser candidata a presidente. Vou lutar até o fim pelas primárias, nem que tenha que entrar em juízo como, aliás, pretendo entrar também para participar dos debates eleitorais. O Plínio de Arruda Sampaio não conseguiu debater com os grandes por meio de liminares em 2010? Eu também posso conseguir – diz.

A ex-diretora da Anac acha que tem mais chance de fazer barulho do que qualquer outro pré-candidato do PEN. Os motivos são porque conhece “como poucos a máquina” e porque pode pressionar Dilma Rousseff a responder por “desvios que eu conheço do PT”. Além disso, sonha em representar a chamada terceira via que, segundo ela, acabou quando Marina decidiu se aliar a Eduardo Campos, “ligado à velha política, aos ruralistas”.

[…]

Indagada se faria algo diferente do que fez quando à frente da Anac, ela diz que não. – Fumaria o charuto de novo?

– Tenho que pensar melhor sobre esta pergunta. Do jeito que a imagem foi mostrada, completamente fora de contexto e vários meses depois que aconteceu o fato, entendo que talvez alguns familiares das vítimas dos dois acidentes aéreos (Gol, em 2006, e TAM, em 2007) possam ter se sentido desrespeitados. Mas eu estava naquela festa (onde foi flagrada fumando) até às 2h30 na porta de um banheiro, ao telefone, tentando contornar o motim dos controladores de voo. Aí o motim foi debelado, me ofereceram um trago. Por um acaso é ilegal fumar charuto? Aconteceu aquele massacre, entre outras coisas, porque sou mulher, simples assim – comenta.

Denise diz achar estranho que os outros quatro diretores da Anac não tenham sido tão responsabilizados quanto ela pelo desastre da TAM, e nega qualquer negligência.

– Havia outros diretores responsáveis pela infraestrutura, pela segurança de voo. Fui fritada porque não tinha as costas quentes. Se você fizer um levantamento histórico, verá que o que eu passei não tem precedentes.

SEM COMENTÁRIO. SEM MAIS SOPA. SEM MAIS LETRAS.