Lançada 'nova' denominação... 'comunicação corporativa'. Avisem o MEC!

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AVI

A capitulação da comunicação como especialidade profissional já era esperada. Afinal, o Jornalismo não mais requer diploma de nível superior, e a Propaganda – fazendo companhia às empreiteiras – mudou-se para o ramo da corrupção do Estado, enfileirando ‘publicitários’ a cada novo escândalo.

Convidado a ‘curtir’ o hot site da campanha ‘Somos Comunicação Corporativa’ (sic)*, visitei-a de bom grado e pus-me a ver o bem produzido vídeo que, na verdade, documenta a capitulação a que me refiro. É pena. A entidade soma-se a certa (certa, não, errada) empresa disfarçada de ONG no processo de demolição da sagrada instituição das formações especializadas, que são, sempre foram, sinal, em todo lugar do mundo, de sofisticação, de desenvolvimento científico, de civilização.

A descaracterização profissional é mais uma das vertentes da precarização do trabalho. Quando o jornal O Globo despede todos os seus jornalistas “de carteirinha” e os substituem por qualquer um “repórter-cidadão”, o que está fazendo não é outra coisa senão o aviltamento do próprio Jornalismo. Ou seja, como diz o senso comum, “dá um tiro no pé”.

E esta manifestação não é ‘mimimi’, porque estou muito feliz com minhas escolhas de formação e profissão – mas faço este muxoxo público por minha querida área não ter sido objeto de sequer um dos depoimentos retratados (pelo menos na versão da edição do vídeo recebido no ‘link’ acima).

Minha querida orientadora no doutorado, Margarida Kunsch, hoje diretora da ECA/USP, também há de emitir – na verdade não sei se o fará, é só uma querência – seu comentário. Afinal, presidiu uma comissão de especialistas do MEC cujo trabalho – de três longos anos – acaba de ser colocado em vigor (em setembro de 2015 – efetivo, pois, neste primeiro semestre de 2016, nas Faculdades e Universidades) pela via das novas Diretrizes Curriculares Nacionais – as quais bem destacam e especificam duas áreas: o Jornalismo e as Relações Públicas. Separadamente. Como, aliás, a ética – irrecorrível – exige.

Como pugno pela volta das Relações Públicas ao seu berço, tanto no mundo como no Brasil, que é a Administração, tanto as novas DCNs do MEC como esta ‘inovação’ denominativa da Abracom ajudam-me a sustentar a sempre apaixonada defesa da comunicação institucional como um dos pilares fundamentais da governança contemporânea. Tal demanda permanece presente e mais atual do que nunca.

* Corporativo: o termo quer abrasileirar o vocábulo inglês ‘corporate’ que, originalmente, refere-se a empresa, empreendimento, ‘corporation’. Em português, o termo escolhido por algum gênio tupiniquim da inovação em comunicação denota exatamente o contrário da ideia de liberdade de exercício laboral, pois a palavra, em nossa língua, refere-se ao pior que pode acontecer numa organização, num empreendimento, num sindicato – a defesa de interesses corporativos, por definição, voltados ao próprio umbigo.

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