Empreendedorismo com recursos próprios e filantropia genuína são "instituições" de que o Brasil ainda carece. Assim como de North.

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Blade Runner

A matéria publicada na Folha de S. Paulo dá o tom: “… a Open Society, instituição de George Soros, iria cortar a subvenção a sites latino-americanos de reportagem…”, e o OCI comenta.

Faltam players no Jornalismo.

Os cursos de Jornalismo, agora independentes (vide matéria sobre novas diretrizes curriculares para o bacharelado), e desde alguns anos “estrelando” o portfolio de escolas de negócios, como o Ibmec e a ESPM, continuam não formando empreendedores e não indo além dos sonhos juvenis de ocupação da bancada do Jornal Nacional e de uma coluna assinada na Folha.

Risco com dinheiro dos outros é refreshment.

Vai daí que assusta os coleguinhas a decisão do magnata Soros de voltar sua veia doadora para causas – como a do combate mais inteligente às drogas – e não mais para a produção de notícias, o que, no mundo todo, é negócio e pode dar lucro. Al Gore, neo-patrono de causas, a propósito, vendeu à Al Jazeera, recentemente, sua Current TV, nos Estados Unidos.

Jornalismo pode até ser causa, sim, mas dos jornalistas, que devem esquecer a – velha – história de emprego e chefes. E partir cada vez mais para um jornalismo de nichos, de bairros, de localidades, de especialidades.

Patrocínio afetivo.

E o crowdfunding veio para ficar. No Brasil, como sempre, um pouco mais tarde. E embora a mídia nativa (como alcunha Mino Carta) tenha batizado assim a novidade, agora apressa-se a modificar o concept para – bem na moda wiki – chamá-la de “patrocínio colaborativo”.

As iniciativas apresentam-se geralmente na internet (aboliu-se os projetos intermináveis em papel ou Power Point), e procuram diretamente os interessados, que podem ser pessoas físicas, doar qualquer quantia e usar ferramentas eletrônicas para isso, tipo PayPal ou PagSeguro. Fácil.

Iniciativas independentes e de fato não-lucrativas (diferentemente de veículos noticiosos), dirigidas à invisível (porque fora-da-pauta) – e verdadeira – causa da “democratização da mídia”, como este Observatório da Comunicação Institucional, por exemplo, têm no modelo de crowdfunding um grande aliado.

Esclarecemos ou escurecemos?

Existe um certo (ou errado) espírito do tempo pairando aqui, agora, no Brasil, principalmente nos media, querendo difundir a ideia de que há outro modo de civilização que não seja fundamentada em instituições – como as que conhecemos – fortes. Uma espécie de favela’s mindset. Isto é, “tudo o que era sólido desmancha no valão“.

Ocorre que todas as civilizações que chegaram a estágios mais elevados de desenvolvimento (principalmente o dito desenvolvimento humano) – no Ocidente e no Oriente – foram construídas sobre instituições fortes, tanto formais quanto informais, e por isso é tão importante conhecer, estudar, aprender o pensamento do economista Douglass North, ganhador de prêmio Nobel de 1993 justamente por sua teoria institucionalista. Isto, principalmente para relações-públicas, os responsáveis técnicos pela comunicação do tipo… institucional.

Mas isto não interessa a este espírito do tempo e aos seus dois braços armados; a mídia comercial e a indústria cultural mainstream. E, por isso, North nunca foi traduzido e publicado no Brasil.

Quando lemos hoje, n’O Globo, que o Brasil é o sétimo país em termos de PIB, mas o 56º. em competitividade e 80º. em instituições, isto tem que soar um alarme na cabeça das pessoas que têm discernimento, boa vontade e pelo menos uma pitada de idealismo.

Com um regime ditatorial chegamos a oitava economia do globo, e com uma crise mundial que assolou-nos MENOS que a outros países, ainda subimos uma posição, algo que se poderia classificar como “inercial”. Temos democracia e liberdade de iniciativa. Ou seja, em tese, seria possível ir mais longe…

Luxemburma.

Porém, dadas as condições em que vive a grande maioria da população brasileira, sob uma mídia imbecilizante, sob governos tíbios, incompetentes e corruptos, uma desindustrialização que só faz formar consumidores e trabalhadores de baixa renda – tudo isso denominado “novas classes médias” -, somos candidatos a andar para trás no concerto das nações e ver instituições que datam do império (e que têm tudo para consolidar-se mais e mais) esfacelarem-se e darem lugar, não mais a uma Belíndia, como sintetizou Edmar Bacha há vinte anos, mas a uma Luxemburma, bem mais desigual e muito próxima da escuridão diurna antevista por Ridley Scott para a Los Angeles de 2019 em seu filme “Blade Runner”.

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