TECNOLOGIA E NOVAS PERSPECTIVAS - Quais as perspectivas éticas e estéticas da comunicação na era digital?

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Os avanços tecnológicos geram mudanças incontornáveis de um nível para outro e levam a constante reflexão sobre o processo histórico e cultural de cada setor da atuação humana. E na comunicação não é diferente. Não há como os profissionais de comunicação ficarem alheios a tais mudanças.

De fato, existe uma grande dificuldade do discurso em qualquer área principalmente quando se usa tanto o tema disrupção para definir toda e qualquer transformação.

A retórica na maioria das vezes prevalece sobre temas como ambivalência e futurismo. Não são raras às vezes que, diante da transformação digital, observadores mais efusivos afirmam que a tecnologia digital aniquilará a mídia tradicional.

Nem erram completamente, mas também acertam pouco. Todos sabem que comunicação de massa sempre desempenhou um papel crucial na conexão do mundo e dos indivíduos. Ela sempre teve a capacidade de atingir grandes audiências com mensagens influentes que pontuam mudanças no modo de estar, agir e consumir em sociedade. E, assim como a televisão e o rádio influenciaram e continuam influenciando o cotidiano e as rotinas das pessoas, a mídia digital – mesmo usando de outras estratégias – cumpre esse mesmo papel de informar, induzir, apelar.

Eu diria que o pano de fundo continua o mesmo, embora as novas mídias desafiem a mídia tradicional a todo o momento.

Visto que, por enquanto, a mídia – tradicional e digital – continua a ser um instrumento de informação a serviço do público, cabe aos profissionais da comunicação ponderar novas perspectivas éticas e estéticas para entender e atuar diante desses novos meios.

Será o fim da cultura das mídias tradicionais?

Para além do cotidiano pessoal de cada um, há também uma série de pequenas tendências que impactam a sociedade desde que a tecnologia eliminou o tempo e a distância como obstáculos à comunicação.

Avanços na tecnologia levaram ao nascimento de muitos novos métodos de comunicação digital, tais como sites, redes sociais e videoconferências.

Do mesmo modo, o impacto da proliferação de dispositivos móveis oportunizou a fusão de mídia de transmissão e internet, o fortalecimento do marketing de conteúdo e assim por diante. Todas essas mudanças não transformaram somente a mídia tradicional, mas também o panorama dos negócios e, inclusive, de outros mercados como o cultural e, principalmente, o entretenimento.

Neste novo panorama, criado pelas novas mídias digitais, essas ferramentas se tornaram o objeto de maior interesse de comunicação para as organizações. Sem dúvida, essas mudanças têm se apresentado de forma benéfica para muitos setores da sociedade, tais como negócios, educação, relações internacionais e, principalmente, o marketing.

As empresas também passaram a promover grandes mudanças no modo de lidar com seus stakeholders. As próprias empresas de comunicação mudaram seu modo de operar, à medida em que a internet se tornou uma fonte onipresente de notícias e informações. Em vista disso, muitos profissionais do setor questionam até mesmo a viabilidade de longo prazo de jornais impressos ou de programas de notícias de televisão em rede.

Por outro lado, também se pode partir do pressuposto de que a possibilidade de utilização das novas estratégias não acarretará na degeneração total da mídia tradicional.

Mas não basta esperarmos para assistirmos se os avanços na esfera da comunicação digital serão de sustentação ou de disrupção. A saber, a transformação por si só não significa evolução. Esta é e deve ser uma reflexão para o presente. Que tipo de mídia é a mídia digital? Por trás de toda essa transformação existe a ideia coletiva de uma cultura midiática? Como os players da comunicação estão tratando a informação e o conteúdo?

Não se pode esquecer que quando se trata do coletivo, o propósito real de informar não pode e nem deve ser ‘on demand’.

Juliana Xavier é produtora de conteúdo da Juridoc, escritora e jornalista por formação, opção e vocação.

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