RELAÇÕES PÚBLICAS INTERSECCIONAIS - Dia da Mulher Negra Latina e Caribenha.

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Na última semana comemoramos o Dia da Mulher Negra Latina e Caribenha: 25 de julho, data reconhecida pela Organização das Nações Unidas (ONU) desde 1992. A data busca conscientizar sobre os modos de exclusão e violência a que muitas mulheres ainda estão submetidas, a partir de sua classe, raça, gênero etc.

Ao considerar a realidade nacional, qual a responsabilidade do profissional de relações públicas diante do potencial de sua atuação, com tendências à interseccionalidade? Até mesmo pelo reconhecimento de que muitos dos modos pelos quais mulheres são excluídas e violentadas (em assédios morais e sexuais) estão presentes, às vezes até estruturalmente, nas próprias rotinas organizacionais.

Qual a margem aceitável entre a construção da história e da cultura de uma organização, e a mera exposição de suas profissionais a reforços de estereótipos de raça e gênero?

Ao ter como parâmetro tipo ideal o reconhecimento das pessoas – em suas respectivas interseccionalidades –, como efetivamente as ouvir e ver, em suas diferenças e, ainda, as incluir de modo viável e responsável às políticas e estratégias comunicacionais? Mesmo que tenham questões que, às vezes, não concernem diretamente a comunicação… A quem a área está dando voz, no diálogo de mão-dupla necessário à consecução de objetivos e metas em comum?

Quais ações incluem outras perspectivas, concepções de mundo e sujeitos, que até então tenham sido invisibilizadas ou silenciadas? Não de modo deliberado, em má-fé, mas simplesmente por não ciência delas, em sua importância?

Temos aí, então, um exemplo do porquê de uma data como o Dia da Mulher Negra Latina e Caribenha. Inclusive na proposição de ações, não apenas para o próprio 25 de julho – mesmo considerando que quaisquer produções de conteúdo e eventos sejam importantíssimos –, mas ao longo de um plano administrativo e comunicacional, em nível estratégico.

Além do próprio reconhecimento dos grupos de pertencimento, a partir de pesquisas pautadas pelas relações públicas interseccionais, quais espaços e lugares de fala o profissional fortalece institucionalmente?

Nos processos identitários da organização, o quão representadas realmente estão as mulheres? Nas decisões gerenciais, o quanto elas detêm de poder ou recursos para exercer sua vocação profissional em toda a sua plenitude?

Muitos questionamentos, talvez, necessários às relações públicas atuais – principalmente ao buscar consonância com as demandas da conjuntura atual.

Nicole Kollross tem doutorado em Comunicação e Linguagens (UTP), mestrado em Sociologia (UFPR), graduação em Publicidade & Propaganda e em Relações Públicas (UFPR). Professora integrante do projeto de extensão vinculado ao Setor de Artes, Comunicação e Design da UFPR – Sinapse Laboratório de Mídia, Consumo e Cultura. Pesquisas nas áreas de comunicação, filosofia, sociologia e estudos de gênero.

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