RELAÇÕES PÚBLICAS INTERSECCIONAIS - Como desenvolver as relações públicas interseccionais?

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Como citado em artigo anterior, a ideia das relações públicas interseccionais foi desenvolvida a partir da teoria ‘queer’; a qual, dentro da comunicação, aborda também os estudos de gênero e a importância da orientação sexual para os processos de construção identitária.

Antes de qualquer coisa, é um reconhecimento mais apurado, na pesquisa dos públicos, de suas características, vivências e hábitos de consumo.

Ao ter a pesquisa como basilar a quaisquer planejamentos de comunicação – considerando também variáveis como raça, classe, sexo biológico, identidade de gênero, orientação sexual etc. –, tendemos a ser mais justos sobre as experiências, as relações de poder e as disputas por lugares de fala e recursos.

Resumidamente, sobre o que trata a interseccionalidade?

São os grupos de pertencimento, sendo que raça e classe são categorizações relativamente mais usuais e, portanto, de senso comum (mesmo que, por vezes, problemáticas em questão políticas).

E as demais categorias? Sexo biológico seria o mais próximo do dado natural; carga genética XY para macho, e XX para fêmea. As identidades de gênero seriam as masculinidades e as feminilidades; noutras palavras, como homens e mulheres devem ser, sentir e pensar.

Um exemplo para ajudar no entendimento de que as identidades de gênero são construções, relativas a uma dada conjuntura sociocultural e histórica, é a ideia de que os modos de ser homem e mulher são diferentes, de acordo com a época e a região.

Já sobre as orientações sexuais, temos pelo menos quatro categorias: heterossexual, homossexual, bissexual e assexual. Vale ressaltar o uso do termo apropriado: orientação, e não ‘opção’, já que os indivíduos não ‘optam’ por quem irão sentir afeto, ou mesmo desejo.

Ao considerar tais variáveis, o profissional de relações públicas – com tendências a uma abordagem interseccional – tende a poder reconhecer, não apenas os grupos de pertencimento dos públicos (com suas consequentes sobreposições); mas, também, as experiências que cada um deles têm junto da organização, em sua dinamicidade e conjuntura.

Se você quer ler mais sobre os processos de construção identitária e as identidades de gênero – então, a partir da semiótica –, disponibilizo um artigo que desenvolvi em uma parte de minha tese de doutorado: ‘Proposta de releitura das identidades de gênero enquanto categorias semânticas fundamentais‘.

Nicole Kollross tem doutorado em Comunicação e Linguagens (UTP), mestrado em Sociologia (UFPR), graduação em Publicidade & Propaganda e em Relações Públicas (UFPR). Professora integrante do projeto de extensão vinculado ao Setor de Artes, Comunicação e Design da UFPR – Sinapse Laboratório de Mídia, Consumo e Cultura. Pesquisas nas áreas de comunicação, filosofia, sociologia e estudos de gênero.