PENSANDO ALTO - O terceiro setor durante a crise.

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Estamos vivendo novos tempos e, de uma maneira ou de outra, tudo está sendo afetado. Sabemos que o consumo está diminuindo, e até mesmo repensado, o que faz com que a economia também caia, os produtos encareçam, dando a esse esquema um formato cíclico, pois também fazem com que o consumo diminua mais e mais. Há um alarde no primeiro setor, já que influencia na vida de todos. Mas o terceiro setor, que também é afetado pelo primeiro, também precisa de atenção.

Além da escassez de recursos para dar continuidade às atividades, que já são custosas em condições normais, as ONGs e OSCIPs também precisaram adaptar mais uma ferramenta de trabalho: o contato para trazer afeto. Se antes já era difícil, imagine sem a possibilidade de contato físico. É preciso criar e reinventar conexões com quem será ajudado, voluntários e doadores.

Por outro lado, está acontecendo também algo único, que é a vontade de fazer o bem e a noção de coletivo por parte das pessoas. Tem se discutido muito sobre o privilégio das pessoas que podem ficar em casa, e como ajudar quem não consegue. Porque essa crise da saúde, que se tornou econômica e social, evidencia de maneira sincera e escancarada quem são os privilegiados – que conseguem ficar em casa – e quem não, os que precisam estar fora de casa trabalhando para sobreviver (ou sequer têm uma casa) – e aqui não levo em consideração as pessoas que estão furando o distanciamento social sem ter necessidade, porque essa postura imatura fica para uma outra discussão sobre privilégios e consciência.

O que é relevante é que essa diferenciação aparente e óbvia faz com que desperte nas pessoas a vontade de realizar ações filantrópicas, porque quem precisa de ajuda deixa de ser invisível – pelo contrário; essas pessoas estão extremamente expostas e visíveis. E a doação é um ato de uma carga semântica bastante poderosa, especialmente nesse momento em que precisamos ficar em casa e não podemos, literalmente, fazer nada. Insto nos ajuda a abstrair e canalizar o sentimento de impotência, além de ajudar a quem precisa.

E é para ser responsável por essas pessoas que as ONGs existem. Elas são as centralizadoras das ações filantrópicas, e têm o conhecimento de como gerir e fazer o bem. Até mesmo a vontade de ajudar e de doar precisa de gestão, de alguém que centralize e direcione os recursos. É esse tipo de conhecimento que é tão valioso sobre as ONGs.

Nesse momento em que tudo está se reinventando, o terceiro setor também precisa desse suporte para se reinventar. E não só com doações, mas o braço de ação é muito importante. E gostaria de aproveitar esse espaço para indicar uma plataforma muito inteligente que nos ajuda quando temos esse sentimento de vontade de ajudar, mas não sabemos muito bem como. A ‘Atados’ une pessoas com essa intenção a ONGs que precisam. Você preenche seu perfil com suas habilidades e áreas em que você gostaria de atuar dentro da ONG, e a plataforma te coloca em contato com as que precisam de ajuda como a sua.

E é claro que eu não poderia deixar de citar o papel das marcas em meio a esse cenário. Vimos que a Ambev, a Coca-cola, o Burger King, o Magazine Luiza, e várias outras marcas se disponibilizaram com doações de recursos, materiais e equipamentos hospitalares e de higiene. Elas são poder financeiro e gerencial, dão nome, dão força e empoderam as causas sociais. E em troca, deslancham no brand equity.

Esse é um momento em que todos precisam de todos, por diferentes razões e habilidades, mas todos estão sendo convocados de alguma maneira. E espero que mantenhamos esse legado quando tudo se normalizar.

Giulia Romanelli é publicitária de formação. Leitora e escritora de essência, é atriz amadora, fascinada por reflexões humanas, Filosofia, e pelas relações sociais.

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