PENSANDO ALTO - A cultura do 'cool' no branding.

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Sabemos que, para uma boa estratégia de branding, as marcas buscam cada vez mais falar a mesma língua de seus consumidores, e se integrar a assuntos que estão sendo valorizados por eles. Por isso, é importante que todas elas, depois de já terem construído um terreno fértil e se posicionado no mercado de maneira clara e com diferenciais, se atentem às tendências de mercado que impactam nos valores e personalidades desses consumidores que buscam atingir. Isto para que, sem abandonar a visão estratégica essencial, abordem um universo em alta.

Uma tendência de mercado que está sendo muito valorizada ultimamente é a cultura do ‘cool’. Ela vem de uma necessidade, principalmente da geração dos millennials, de não querer seguir os padrões convencionais da sociedade, de se sentirem autênticos e donos do próprio estilo e valores. É claro que essa autenticidade não é somente algo intrínseco, mas vem da percepção de mundo e atribuições sociais. Mas o que é ser diferente em um mundo onde todos querem ser diferentes?

O ‘cool’ em sua essência é subjetivo e dinâmico, ou seja, cada um pode ter a sua própria percepção. Mas será que pode mesmo? Alguns detalhes exóticos são muito valorizados nesse universo, mas não é um dado de realidade que alguma pessoa, ou alguma marca que seja 100% destoante, seria bem aceito.

Um exemplo de marca que trabalha isso muito bem – que consegue ser percebida como descolada, e não como estranha – é Havaianas. Aproveitando o fato de seu produto ser essencialmente colorido e variável, a marca conseguiu transformar um chinelo, calçado que anteriormente era visto como ‘desleixado’, em um acessório valorizado pela moda. E ainda conseguiu transmitir a essência do ‘cool’ usando o slogan que soa massificador: ‘Todo mundo usa’. Essa frase é genial porque consegue passar um senso de consumidores descolados: já que todo mundo usa, quem não usa não é legal.

É muito interessante perceber como as marcas resolvem estrategicamente essa contradição do ‘todos querem ser diferentes x diferenças demais não são compreendidas’.

Os consumidores usam essa tendência para expressarem sua identidade e estilo, os quais diferem do senso comum. E, aí, depois que todos sentem-se confortáveis o suficiente para destoar do senso comum, o que é diferente acaba se tornando padrão. Por isso, as marcas devem se atentar a essas tendências, antes que elas se tornem moda. E, claro, alinhar-se sempre a seus próprios territórios essenciais e ao que seus consumidores estão buscando.

Giulia Romanelli é publicitária de formação. Leitora e escritora de essência, é atriz amadora, fascinada por reflexões humanas, Filosofia, e pelas relações sociais.

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