O OUTRO LADO DAS MARCAS - Os aviamentos são importantes para o sucesso dos produtos de moda.

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Neste mês, “O outro lado das marcas” dá luz ao zíper, ao botão e à fita, elementos que fazem a diferença em muitas roupas, mas nem sempre são notados como deveriam. Eles são exemplos do que chamamos de “aviamentos” e podem ser vendidos a varejo, em armarinhos, ou por atacado, direto com fornecedores ou fabricantes. Os últimos costumam oferecer maior variedade de modelos e cores.

Atualmente, vários disponibilizam catálogos em seus sites e é comum apresentarem novidades a cada estação.

Muitas pessoas, no entanto, nem percebem estas peças, que servem para fechar ou enfeitar as roupas. Um exercício simples é consultar seu próprio armário e verificar, por exemplo, que há uma variedade de zíperes com materiais e modelos diversos. Há os costurados de forma a serem visíveis e chamativos, e há os invisíveis, muitas vezes da cor do tecido da roupa. Eles podem ser sinônimos de conforto e qualidade – quando não pinicam ou não estouram, claro.

Os aviamentos, de modo geral, são produtos complexos e cheios de especificidades e não se deve ignorá-los. Além dos zíperes, vale a pena observar também ilhoses, cadarços, colchetes, velcros e alamares, por exemplo, normalmente usados para fechar ou unir partes de uma roupa. No entanto, os aviamentos também são usados para decorar as peças e não é incomum que esse uso denote algum tipo de ostentação, frivolidade ou superficialidade, principalmente quando são os brilhosos paetês, strasses e cristais. Ao rol do que é considerado como aviamento, somam-se os galões e as passamanarias. E não se deve esquecer das linhas de costura, havendo um determinado tipo para cada qualidade de tecido.

Uma escolha ou aplicação indevida dos aviamentos pode causar sérios danos financeiros a uma empresa e, por isso, são importantes os ajustes feitos na pilotagem das peças. Então, o ideal é que o designer acompanhe a realização da peça-piloto até a sua aprovação. E tudo o que foi decidido deverá constar na ficha técnica para orientar a produção.

Tratar disso é extremamente importante para assegurar a qualidade do produto que está sendo desenvolvido. O mesmo acontece quando um designer gráfico está diante da prova de um impresso que deverá ser produzido em grande quantidade. E quanto mais precisas estiverem suas especificações, menor chance de erro no que está sendo produzido.

Então, no que tange à responsabilidade do designer de moda, este tem a incumbência de anotar, na ficha técnica do produto, tudo o que puder de cada aviamento usado, e isso inclui a referência do fabricante, cor, matéria-prima, modelo e tamanho. Vale a pena ser precavido até no desenho técnico. Neste caso, como os aviamentos são peças bem pequenas, é comum ampliar um detalhe do desenho em que o aviamento aparece e fazer anotações, informando, além das cotas (medidas), tudo o que considerar importante para evitar ruídos. O designer não pode se esquecer de que é preciso comunicar suas ideias de maneira coerente para os responsáveis pelas demais etapas da produção, e a ficha técnica é um recurso comumente usado para registrá-las, pois o sucesso das roupas que está projetando depende da clareza e transparência das informações transmitidas.

Referência

MONTEIRO, Gisela Costa Pinheiro. O designer como o responsável por preservar a identidade da marca ao longo da produção das coleções de moda. 2018. 445 p. Tese (Doutorado em Design), Escola Superior de Desenho Industrial, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2018.

Gisela Pinheiro Monteiro é mestre e doutora pelo Programa de Pós-Graduação em Design da ESDI/UERJ, na linha de pesquisa ‘História do Design Brasileiro’. É também graduada pela mesma instituição com habilitação em ‘Projeto de Produto e Programação Visual’. Possui formação técnica em Design Gráfico pelo Senai Artes Gráficas do Rio de Janeiro e experiência na prática do Design, tendo sido responsável por diversos projetos para empresas. Atua como docente em diversas instituições do Rio de Janeiro.