Nunca antes neste país. Por Alanis Hitomi I. Brito.

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Vivemos em um país onde uma família de classe média baixa ganha dois salários mínimos, parcela o carro em 60 vezes, coloca o filho para estudar inglês e não o deixa andar de ônibus. Se gaba pela casa alugada, pela mensalidade do plano de saúde e das viagens no litoral catarinense nos finais de ano.

Não esconde o orgulho de comprar um filhote de cachorro no pet shop e ignora as crianças que esmolam pela avenida principal da cidade. Defende fielmente que a mulher não deve abortar, aliás quem escolheu fazer o filho, não é mesmo? E é contra o sistema de saúde público que atende milhares de pessoas de baixa renda.

Não hesitou em vestir verde amarelo além dos estádios. Porém, manifestações somente aos domingos, para não atrapalhar o trânsito. Repudia matérias jornalísticas produzidas pelas grandes mídias (porque o restante, são esquerdistas), mas acredita naquela mensagem encaminhada pelo primo da amiga do trabalho. Fonte? Blogs e Twitter.

Quem reclama que o desemprego está alto, é vagabundo. Porque trabalhador mesmo arranja trabalho quando quer. Se não tivesse emprego mesmo, se vira como motorista uber ou entregador de iFood, ah, e não se esqueça de se autodeclarar autônomo.

Para quê aposentadoria? Os países mais desenvolvidos não ‘tem dessa’, lá cada um paga pela previdência privada. Funciona. Envenenamento de moradores de rua? Bom, menos quatro vagabundos para sujar a cidade.

Não se preocupe não, nosso único obstáculo é acabar com esses comunistas que não morreram na revolução de 1964 (ditadura no Brasil, não existiu). Nossa ideologia é sustentada pelo presidente, nós queremos é visibilidade. Lembra desses caras da internet que todo mundo zuava? Pois é, eles ganharam fama e hoje estão aqui, no Congresso, no Senado, na Câmara. Criaram um partido do nada em 2018. Tiveram uma crise entre si, e hoje, planejam criar uma sigla com tom ainda mais conservador do que a sua inspiração, a Arena (Aliança Renovadora Nacional), partido durante o regime militar. Tudo por meio de assinaturas no celular.

É a tecnologia, mais uma vez, nos mostrando que têm impacto direto em nossas decisões, sem que muitas vezes, tenhamos conhecimento.

A expressão do título popularizada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). No atual cenário, rompe-se continuamente os padrões da tradição política brasileira como nunca visto antes desde a Nova República (1985).

Alanis Hitomi I. Brito é jornalista e pós-graduanda em Direção de Arte: Design e Comunicação pela Universidade Estadual de Londrina (UEL).

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