FORA DA CAIXOLA - Mundo dividido.

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Enquanto acordamos todos os dias e estamos atarefados com nossas tarefas, nem imaginamos que uma legião de pessoas fazem coisas totalmente diferentes das nossas. Imagina o quanto de gente está de férias, pensando apenas na temperatura da água do mar… outros vão para bailes de dança de salão, já existem aqueles que vivem para o skate, admiro os que praticam a corrida.

Porém, essa diversidade eu costumo falar que são universos paralelos. Mal imaginamos o que ocorre nesses diversos guetos.

Ocorre do mesmo jeito na forma de pensar dessa multidão de pessoas iguais entre si e diferente entre muitos. Se elas acham que todos devem pensar tal como elas, a hegemonia se torna burra. E a coisa mais chata é ver alguém insistindo em convencer alguém a algo. A coisa mais bacana é ver uma pessoa se identificar com uma causa, admirada pelo que move essa turma.

O armamento é visto por um percentual de pessoas como algo bom e por muitos outros como ruim. Eu acredito no bom senso, nas estatísticas, na explicação baseada em fatos reais e não na construção imaginária de uma realidade paralela.

Por isso, fui consultar o pai dos burros do século XXI, o Google.

A primeira pesquisa que vejo é de janeiro desse ano, dizendo que 61% dos brasileiros defendem que posse de arma seja proibida. Elas alegam que armas representam ameaça à vida de outra pessoa. Entrevistaram 2077 indivíduos em 130 municípios.

O Fórum Brasileiro de Segurança Pública condena o armamento dos civis do país, indicando que estudos e evidências demonstram a ineficiência de tal realidade. O Instituto Igarapé, através da sua diretora executiva, Illona Szabó de Carvalho, defende que deveria haver uma fiscalização para penalização futura, já que, atualmente, não há regras para marcação na munição utilizada por civis. O Instituto Sou da Paz divulgou que insistir em medidas que facilitem a compra e circulação de armas em vias públicas só irá piorar o grave cenário da Segurança Pública enfrentado pela população.

Mas, na contramão disso tudo, o representante da população no Executivo decretou a flexibilização do uso de armas no país. Agora, o porte de arma será vinculado à pessoa e não mais à arma. O direito à compra de cartuchos passará de 50 para até mil ao ano. Colecionadores, atiradores esportivos e caçadores poderão circular com suas armas e com munição. Em tese, no trajeto que vai da casa ao local de tiro.

Essa semana, fui obrigada a ver cenas de um cabo da Polícia Militar que agrediu a dona de uma lanchonete no Rio de Janeiro, portando uma arma, apenas pelo fato de não ter gostado do molho que veio no sanduíche que comprou por aplicativo – o que ocorreu em 21 de março desse ano. Vamos ver o que acontecerá ao agressor e à vítima.

Isso me faz refletir sobre o que pensa a maioria, do que valem as pesquisas e até onde uma pessoa em fúria pode chegar com uma arma na mão. Avaliando a cena, penso que a Segurança é uma obrigação do Estado, algo pelo qual pagamos. Não sei se justifica passar a responsabilidade para pessoas sem preparo para uso, transporte e defesa. Se para um profissional especializado já é difícil, como vimos no caso recente do PM, o que dirá para alguém que tem um objeto desses apenas para colecionar, caçar ou atirar de forma desportiva.

O Ministro Chefe da Casa Civil, Onix Lorenzoni, garante que arma em casa oferece o mesmo risco que um liquidificador para uma criança. Se ele está dizendo, só me resta escolher em quem acreditar.

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