ET CETERA & COMUNICAÇÃO - A Inteligência artificial, a Comunicação e o déficit em interpretar textos.

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O mercado mundial de Big Data deve alcançar US$ 187 bilhões em 2019, de acordo com a IDC. Este é um artigo sobre inteligência artificial (IA) que não vai dizer como ela funciona, nem como usá-la na Comunicação Institucional. Mas, sim, traz uma provocação: como esses materiais estão sendo analisados?

As informações passam a ter um papel central na transformações de negócios por trazer um rico material de dados. Primeiro é preciso saber a qualidade das informações; segundo como analisá-las. A pergunta é: – temos profissionais qualificados para fazer análises? Diante disso, qual é a ‘qualidade’ para a escolha do que vai ser pesquisado e quais elementos serão selecionados?

Dados são dados e ponto. O que faz a diferença é o que é feito a partir desses dados. Informações e conexões são geradas por eles. Imagine que um guru diz que a cerveja tem um poder mágico em relação ao Sol: quanto mais cerveja for consumida, mais as chances do dia se manter ensolarado. Parece uma loucura, não? Mas o guru, para provar sua teoria, passa um ano na praia coletando diariamente os dados de: 1) consumo de cerveja e 2) temperatura da praia.

Um ano depois, ele ‘comprova’ sua teoria ao mostrar com dados analíticos que dias em que houve uma maior venda de cerveja na praia são dias mais quentes, logo ensolarados. Este exemplo – do livro ‘Economia sem truques’ – é um bom exemplo de causalidade reversa. É claro que este exemplo é bem óbvio. Entretanto, quantos outras pesquisas podem trazer uma análise com uso de dados deturpados pelo ótica de quem o analisa?

‘Por que os dados de inteligência artificial podem levá-lo para o caminho errado’, artigo publicado na Forbes, traz relevante relato de como é importante uma cultura orientada para os dados.

Além de ter diretrizes de como trabalhar com a inteligência artificial de forma ética, temos um problema de como aplicá-la de forma eficiente.

Em meados do ano passado foi divulgado que cerca de 38 milhões de brasileiros, de 15 a 64 anos, são analfabetos funcionais. O estudo feito pelo Ibope inteligência, desenvolvido pela ONG Ação Educativa e pelo instituto Paulo Montenegro, mostra que estas pessoas representam 29% da população do país. Só que posso ousar dizer que, infelizmente, há uma parcela destes – um pouco mais de 70% – que tem dificuldades de interpretação de texto ou, pior, que intencionalmente busca dados que corroboram (como o guru da cerveja) as suas errôneas teorias.

A Inteligência Artificial já deixou de ser algo sobre o futuro. Hoje é uma realidade palpável. O que isto significa? Stephen Hawking, em seu livro ‘Breve respostas para grandes questões’, diz que não se deve menosprezar o desenvolvimento da Inteligência Artificial: ‘… ao mesmo tempo em que a IA deve aumentar a nossa inteligência natural para introduzir avanços científicos e sociais. há também alguns perigos se igualarem ou superarem a inteligência humana’.

Nesta linha de pensamento, para Hawking: ‘Uma IA superinteligente será extremamente boa em cumprir seus objetivos se esses objetivos não estiverem alinhados com os nossos estamos encrencados’. Pioneiros da tecnologia da informação como Bill Gates, Steve Wozniak e Elon Musk compartilham desta mesma preocupação de Hawking em relação à cultura salutar da avaliação de riscos e consciência das implicações sociais da IA. Talvez todos eles tenham visto – como nós – filmes apocalípticos demais. Entretanto, eles sendo quem são, e acredito que vale a pena meditar sobre suas palavras.

Referências

GONÇALVES, Carlos. Economia sem truques: o mundo a partir das escolhas de cada um. Carlos Gonçalves e Bernardo Guimarães. Rio de Janeiro: Elsevier, 2008.

HAWKING, Stephen. Breves respostas para grandes questões. Tradução Cássio de Arantes Leite. 1a. ed. – Rio de Janeiro: Intrínseca, 2018.

https://forbes.uol.com.br/colunas/2018/11/por-que-os-dados-de-inteligencia-artificial-podem-o-levar-para-o-caminho-errado/

https://www1.folha.uol.com.br/educacao/2018/07/alunos-brasileiros-nao-chegam-ao-fim-de-prova-em-avaliacao-mundial.shtml

Tatiane Matheus, jornalista, pós-graduada em Política e Relações Internacionais, com especialização em Didática para o Ensino Superior (FESP-SP) e mestrado em Produção e Gestão Audiovisual pela Universidade da Coruña, Espanha (MPXA).

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