A nova era da Assessoria de Comunicação? Por Flávia Ferreira.

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Antes de tentarmos entender essa nova fase da Assessoria de Imprensa é necessário entender o modelo que motivou essa renovação. A ‘Indústria 4.0’ trata da aplicação das novas tecnologias no processo de automação de tarefas e o controle de dados e informações. Um conceito apresentado em 2011 pelo governo alemão na Feira de Hannover, em 2011, serviu para revolucionar outras etapas da sociedade moderna.

A comunicação pegou o conceito da quarta revolução industrial para otimização dos processos e consequente alcance de visibilidade aos clientes. Nesse contexto, tratamos das ferramentas de divulgação, mensuração de dados, inovação de texto e uma revolução no processo de gestão de imagem.

Há algumas décadas, quando o assessor precisava divulgar uma informação sobre o cliente, precisava redigir o press-release e entregar em mãos, ou por correio, em papel ou disquete, podendo utilizar o telefone como um meio de defender o cliente e mostrar a importância do conteúdo sugerido. Mas, com a popularização do e-mail e da internet no final da década de 1990, criou-se uma grande revolução para o trabalho do jornalista que se mantém em constante mudança até os dias de hoje, com a utilização cada vez mais ampliada das redes sociais e aplicativos de mensagem.

Nos dias atuais, o trabalho do assessor passou a estar cada vez mais integrado com as demais área da comunicação para que tenha uma visão abrangente da imagem do cliente nos mais diversos meios e consiga atuar de forma mais eficaz na gestão da imagem e marca, uma vez que não podemos ignorar que mesmo a tecnologia tendo trazido incontáveis inovações no campo industrial, financeiro e das relações, ela também criou uma sociedade mais fragilizada. Essa fragilidade, muito efervescida pelas fake news e por situações de discriminação e vulnerabilidade, pode ser vista nas relações estabelecidas com as marcas, na credibilidade e na confiança depositada (ou não).

No estudo clássico ‘The Moral Basis of a Backward Society’, Edward Banfield percebeu que os camponeses no sul da Itália compartilhavam uma grande parcela de confiança com membros de sua própria família, mas eram desconfiados de pessoas fora de suas fronteiras. A mesma ação se reflete em outras civilizações, que podem apresentar uma postura individualista, mas que, por instinto, vivem em uma comunidade. Essas fronteiras foram quebradas nas redes, não vivemos mais em territórios e isto aproximou as populações, criando uma especie de ‘ciência da sedução’ nesse ambiente, com a qual localizamos com precisão as puras essências do cérebro que desvendariam um ‘código de venda’. Estamos em uma sociedade de superposição de rede. Não seria para menos; o aumento dos canais de comunicação também banalizou a notícia e reconfigurou a noção de públicos. Neste mundo pós.com, as pessoas tiveram o poder de influenciar escolhas através um um clique e um comentário, o que gerou uma falta de confiança por parte dos consumidores que passaram a ver a necessidade de consumir cada dia mais informações sobre aquele produto e serviço, remodelando a tradicional relação entre emissor-receptor.

Agora, uma pessoa pode ser formadora de opinião mesmo sem conhecer nada sobre o assunto do qual fala, ou por fazer piadas e memes, ou apenas por falar da própria vida para a rede. Esses influenciadores reconstruíram a forma como as pessoas se relacionam com as marcas, e muitas das vezes são tidos como mais importantes que os dados científicos ou falas das autoridades, tudo porque os internautas os vêem como iguais, gostando ou não desta nova fase da comunicação.

Jorge Duarte, na revisão do seu livro ‘Assessoria de Imprensa e Relacionamento com a Mídia’, informa que esse novo ambiente traz desafios às assessorias, como a adaptação das ferramentas tradicionais ao novo meio digital, ou seja, um bom texto, o telefone e uma visita ao jornalista ainda são importantes, mas é necessário inserir o ambiente digital nas estratégias de divulgação. Criar uma boa ‘sala de imprensa’ que facilite o acesso do jornalista à informação, produzir vídeos que o jornalista possa usar em sua rede – visto que o jornalista também é tido como um influencer nas redes sociais – e nos canais do veículo, produzir posdcasts, infográficos e materiais de boa qualidade que possam ser usados no ambiente virtual são boas estratégias para iniciar uma ação de assessoria, hoje.

Atrelado aos novos modelos de trabalho, o assessor precisa planejar as etapas de todo o processo de divulgação, criando metas e táticas que irão ajudá-lo a alcançar os objetivos estipulados. Também é necessário identificar a imagem que essa empresa construiu nas redes e sites de reputação, juntos aos influenciadores, para além da mídia tradicional, porque isso irá ajudar no processo de construção ou reconstrução da imagem do assessorado no ambiente.

No entanto, por mais benéfico que tenha sido, o ambiente virtual não pode substituir o trabalho do Assessor de Comunicação, mas deve ser usado como ferramental para melhor atender o profissional.

Flávia Ferreira é jornalista pós-graduada em Gestão Estratégica da Comunicação. Com mais de 10 anos de atuação profissional, já navegou pelo terceiro setor, o setor público e o privado, sempre trazendo o viés social para o trabalho cotidiano, seja com comunicação corporativa, gestão de marcas ou reportagens de campo.

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