O OUTRO LADO DAS MARCAS - A imagem institucional na praia

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Ultimamente, tenho refletido sobre a produção industrial… produção… produção… produção! Considero, no entanto, este sentimento de fastio um tanto contraditório. Até porque, como designer, trabalho com a criação de coisas que, no entanto, em breve farão parte do lixo tais como os dejetos que encontro nas areias as praias cariocas (vide foto, feita por mim, com o Copacabana Palace ao fundo). Na última sexta-feira, de tardinha, resolvi aproveitar o pôr do sol e fui caminhar na orla de Copacabana. Estava calor, um dia lindo, dia de que turistas gostam… mas eu me senti no inferno. Isto porque as pessoas estavam sentadas e, ao redor delas era tanto, tanto, tanto lixo, que dava uma cena dantesca!

Não consigo, sinceramente, entender como elas conseguem apreciar uma paisagem com tamanha sujeira! E não é por falta de aviso! Os jornais alertam sobre as areias poluídas! Sinto que estamos vivendo em um mundo com muita produção de informação, mas com pouca comunicação.

Fiquei tão apavorada com o que li no domingo, dia 6 de maio deste ano de 2019, que resolvi guardar a matéria do jornal O Globo, até porque ela sustenta minha argumentação. Nela, Giselle Ouchana escreveu: ‘A maré está boa, a areia nem tanto’, alertando sobre a poluição das areias das praias cariocas. Fiquei particularmente chateada pela legenda de uma das fotos informando que o Posto 3 é um dos trechos em que a areia é uma das mais contaminadas da cidade, pois, para mim, é uma das vistas mais bonitas da praia. Aliás, qual vista de Copacabana não é bonita? Copacabana, que atrai turistas do mundo todo para ver esta belíssima paisagem! Infelizmente, vou cortar este momento de ufanismo para dizer que, vista da areia, não é tão bela assim.

Acabei de vir de uma caminhada em que vi um copo de sundae displicentemente jogado na areia, com a calda de chocolate ainda viçosa. Vi, também, muitas garrafas de água, papéis de bala, canudos, copos e garrafas de plástico, guimbas, restos de quentinha. Um saco plástico desta vez veio voando e, assim, catei tudo o que pude. Isso me faz sentir que a natureza pede ajuda e que estou no caminho certo ao publicar estes textos. Ao fundo deste cenário, o belo Copacabana Palace – o que me fez pensar que os hotéis também são marcas e que vivem dos turistas que vão à praia. Noto que vários hotéis montam estruturas para receber seus hóspedes, quase um oásis no meio do caos. Mas fico constrangida ao ver os turistas sentados sobre canudos etc.

Como disse em meu último post, uma andorinha só não faz verão. E, como professora, enxergo que uma solução para este problema local seja a conscientização por meio da educação. Então, fica a ideia para que os próprios hotéis, como exemplo, criem o hábito de varrer com ancinho o seu trecho de praia. Não adianta ter um lindo hotel se o motivo dele existir, a praia, estiver destruída! Este pequeno ato poderá servir de exemplo para os barraqueiros, para os demais hotéis, para os turistas e para os moradores da cidade, e, assim, termos uma praia sem lixo.

Ainda tenho a esperança de voltar aqui contando boas notícias. Este assunto é extenso e merece muito escrever, não só para denunciar, mas também para mostrar boas atitudes que as empresas estão tomando. O que precisa estar claro é que medidas a favor da redução de resíduos ou uma produção menos poluente não representam a garantia de construção de uma boa imagem institucional, mas de uma necessidade mundial para a sobrevivência da espécie humana neste belo planeta.

Imagem: Gisela Monteiro.

Gisela Monteiro é mestre e doutora pelo Programa de Pós-Graduação em Design da ESDI/UERJ, na linha de pesquisa ‘História do Design Brasileiro’. É também graduada pela mesma instituição com habilitação em ‘Projeto de Produto e Programação Visual’. Possui formação técnica em Design Gráfico pelo Senai Artes Gráficas do Rio de Janeiro e experiência na prática do Design, tendo sido responsável por diversos projetos para empresas. Atua como docente em diversas instituições do Rio de Janeiro.

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