É o começo do fim para todos nós. Por Pyr Marcondes.

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Deu no Meio&Mensagem – South by Southwest de hoje:

Demita seus jornalistas que meu software resolve pra você. Os softwares (sic) que automatizam a produção de notícias não são exatamente uma novidade…

LINK – http://sxsw.meioemensagem.com.br/cobertura2017/2017/03/15/demita-seus-jornalistas-que-meu-software-resolve-pra-voce/

COMENTÁRIO

Na falta de errepês que bem desempenhem a função ‘media relations’ (ou ‘press relations’) em nosso país – dado que a atividade de assessoria ‘de imprensa’, aqui, foi capturada por jornalistas (1) desempregados, (2) enrustidos não-assumidos, (3) frustrados, (4) incompetentes para atuar em veículos, ou (5) em mero desvio de função (por penúria ou má-fé) – executivos e empreendedores brasileiros adoram (e adotam) a ideia de ‘ter um jornalista’ na folha de pagamentos (ou ‘no bolso’), enfim, ‘um jornalista-para-chamar-de-seu’. Ou adotavam…

Em plena crise (1) econômica, (2) financeira, (3) de valores, e – ainda – da total incapacidade de mover-se no tsunami que a tecnologia da informação jogou sobre todos nós, será tentador para muitos abandonar aquele jornalista ‘humano’ (do tipo que se atrasa, que fica doente, que insiste em ter e criar filhos, que pede aumento e que – muitas vezes – ainda não entrega o que promete) e contratar um… robô. Vimos tratando deste tema aqui neste OCI e quem disser que sabe onde vai parar a crise particular que se abate sobre a indústria da comunicação (como a conhecíamos…), simplesmente mente.

Para piorar tudo – testar limites é exercício cármico da raça humana – logo-logo estaremos ‘contratando’ pacotes de software para (1) ler para nós, (2) estudar em nosso lugar, (3) trabalhar por nós e, até, (4) escrever assinando nosso nome. Está lançada a nova ‘modinha’: para cada ‘fake new’, um ‘fake reporter’, para cada ‘fato alternativo’, um robô alternativo, para cada veículo ‘de mentira’ um software de verdade – preferencialmente daqueles que, mesmo baratinhos, possam ser pirateados, replicados, mexidos, ‘hackeados’ e deletados sem que a ninguém faça doer.