Eleições 2020 – o debate é para além do adiamento ou não.

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O senador piauiense Marcelo Castro (MDB) apareceu com a ‘alternativa’ do voto facultativo nas eleições deste ano durante sessão no Senado com o presidente do TSE, Luís Roberto Barroso, nesta segunda-feira (22), sobre o adiamento das eleições municipais deste ano. Detalhe: a medida seria somente para esse pleito.

Não entro no mérito do certo ou errado. Por outro lado, existe um debate macro, a reforma política, e o debate mais urgente, as eleições deste ano, que ninguém sabe como vai ser por conta da pandemia. Considerando as últimas eleições, especialmente desde 2014, quando foram mais de 38 milhões de votos inválidos (abstenções, nulos e em branco), maior que a votação de Aécio Neves, candidato do PSDB à presidência da República que ficou em segundo lugar, a sugestão do senador pode, na verdade, só oficializar algo que já vem acontecendo, mesmo sendo o voto obrigatório no País. E, no andar da carruagem, é só ladeira abaixo. O eleitor está desanimado (para ser sutil) em escolher seus representantes. A verdade é essa.

Infelizmente há que se reconhecer que a representação política no Brasil está na UTI e, brincadeiras à parte, não é por causa da pandemia do Coronavírus. O mal da política brasileira chama-se corrupção e é nisso que os políticos deveriam agir e não apresentar remendos para uma questão que é bem maior e que, por isso mesmo, exige um amplo debate.

Fato é que, obrigatório ou facultativo, estamos falando de voto, aquele que, como destacou o ministro Luís Roberto Barroso no seu discurso de posse no TSE, disse ser preciso fazer uma grande campanha de conscientização.

‘Precisamos despertar, em muitas faixas do eleitorado, a compreensão de que o voto não é um mero dever cívico que se cumpre resignadamente, mas uma oportunidade de moldar o país e mudar o mundo. É preciso se informar com antecedência acerca dos candidatos, verificar o que cada um já fez, o que promete e qual credibilidade merece. Votar consciente é guardar o nome do seu representante, acompanhar o seu desempenho e só renovar o seu mandato se ele continuar merecedor de confiança. Numa democracia verdadeira, não existe nós e eles. Eles são aqueles que nós colocamos lá’.

Enfim, o debate não é somente sobre adiar ou não as eleições por causa do Coronavírus. É sobre responsabilidade, maturidade, conscientização sobre o ato de votar e sobre a escolha do seu representante. E se o brasileiro soubesse votar e se os políticos soubessem administrar bem os seus mandatos, talvez o impacto dessa pandemia nas eleições fosse outro.

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Ana Cristina Guedes é jornalista, especialista em Comunicação Institucional e Comunicação Política, e Mestre em Comunicação pela Universidade de Valladolid, Espanha.

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