Os meios de comunicação no processo educativo.

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Qual o verdadeiro papel dos meios de comunicação quando o assunto é educação? Para responder a esse questionamento é preciso também compreender conceitos sobre multiculturalismo (mistura de culturas) e interculturalidade, este, vale ressaltar, é um passo mais amplo do que o multiculturalismo, por privilegiar mais a interação, o compartilhamento. Neste sentido, é preciso também atentar para outro ponto: apesar de estarmos em uma sociedade globalizada, onde a informação é vista como mercadoria, é necessário levar em conta que informação é diferente de conhecimento. Ou seja, no mundo globalizado você pode consumir informação, mas não significa, necessariamente, que você adquira conhecimento.

Sobre isto, não tenho dúvidas de que os efeitos colaterais são cada vez mais evidentes, tanto na perda da localização e do papel que cada um tem como ator social e protagonista de debates que dizem respeito à sociedade como um todo, como na qualidade da informação, da comunicação e da educação produzida a partir do surgimento de novas tecnologias e de como notícias são divulgadas e propagadas via redes sociais sem o controle e a checagem das mesmas, vide o fenômeno das ‘fake news’, tema que merece um artigo específico e que, por isso, não detalharemos aqui.

Outra abordagem diz respeito à interação no espaço cibernético. Aqui, o destaque é para o aumento da quantidade da informação, a velocidade de processamento e distribuição, a recepção individualizada e interativa e, finalmente, as novas linguagens que surgem para se comunicar. As mudanças significativas nesse processo são os códigos, que passam do verbal para o visual e audiovisual; o suporte, do papel impresso para a tela do computador ou dos smartphones; e a leitura, de linear para ramificada ou hipermídia.

Nesse cenário, a presença dos meios midiáticos como alternativas para fixar e despertar o interesse dos alunos pelas aulas, boas ou más, tem seu papel e não podemos ignorar os impactos causados por esses conglomerados de comunicação – e também de entretenimento – na educação em todas as suas fases da vida (crianças, jovens, adultos, idosos). Abre-se aí novos questionamentos sobre a função socializadora e pedagógica da educação midiática em uma sociedade de consumo de informação e sobre os modelos de educação que temos atualmente e que modelos vislumbramos como ideais. Estas são algumas das questões que devem ser colocadas para desenvolvimento e debates sobre o tema.

Mas não há dúvidas de que o que vemos e temos hoje em termos de educação e formas de educar é muito diferente do que nossos pais e avós tiveram e até mesmo que nós tivemos, em um passado não muito distante. E isso está além do relacionamento professor-aluno/aluno-professor, em que as relações eram muito mais rígidas e conservadoras, mas em questões mais amplas, como, por exemplo, o papel da família, da escola, da religião e do Estado, instâncias tradicionalmente reconhecidas como responsáveis pela educação. Vale ressaltar que elas ainda são fontes primárias de educação e não perderam sua importância, mas devemos reconhecer que na sociedade atual, com suas várias e variadas opções de comunicação que vão além das mídias tradicionais (televisão, jornal, rádio…), a internet e, em especial, as redes sociais, são presença constante no dia a dia de crianças e jovens, que têm em suas mãos os recursos tecnológicos mais avançados e ‘inteligentes’ como meio alternativo de comunicação e educação.

Assim, os meios de comunicação – e isso inclui as novas mídias -, bem ou mal, são uma realidade e um fenômeno em si mesmo que não podemos ignorar, mas pensar sobre o modo como estamos usando. Educar para criar nesse novo e atraente mundo novo da tecnologia e das infinitas possibilidades de comunicação e interação é, talvez, o maior desafio para os nossos educadores que, apesar de interessados, ainda precisam avançar muito no conhecimento sobre o uso desses recursos e suas possibilidades na educação de crianças e jovens.

Imagem: Pixabay.

Ana Cristina Guedes é jornalista, especialista em Comunicação Institucional e Comunicação Política, e Mestre em Comunicação Social pela Universidade de Valladolid, na Espanha.

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