O OUTRO LADO DAS MARCAS - As atitudes que as marcas tomam pela sustentabilidade do planeta.

Share Button

Nestes dois meses em que comecei a escrever sobre o outro lado das marcas, eu mesma tenho me questionado quanto aos meus hábitos. Isto porque me lembrei daquele velho ditado, ‘quando apontamos o dedo para alguém, há outros quatro apontando para nós mesmos’. Então, eu nunca jogo lixo na rua, mas cometo outros erros… Por exemplo, tenho o hábito de pegar todo e qualquer folheto, mesmo que não me interesse. Confesso que pego porque adoro ficar analisando a diagramação, vendo as cores das letras, a forma como a imagem foi aplicada, mas já estou me policiando quanto a isso. Outro hábito, mas que não consegui mudar ainda foi o uso do saco plástico para lixo. Apesar de estar reduzindo, estou longe de conseguir parar de usar. Isto porque ainda não achei outra solução para o lixo! Estou aguardando um designer criativo inventar um saco a partir de alguma fibra (como a de coco) ou de qualquer outra forma alternativa para recolher o lixo. Quero dizer que mudar não é fácil! Porque isto mexe com toda uma estrutura com a qual estamos habituados. O mesmo acontece com as empresas. Mas… ‘de grão em grão a galinha enche o papo’. Neste contexto, isto significa que o processo de conscientização é mais lento do que o de destruição, mas por outro lado, é mais duradouro.

Analisando a foto do lixo na praia que publiquei no mês passado, fiquei pensando que aqueles produtos jogados na areia em frente à ‘Uma obra-prima em estilo Art Déco, o Belmond Copacabana Palace é uma joia valiosa na praia mais emblemática do mundo’ já fizeram parte de alguma campanha publicitária como: ‘McDonald’s: amo muito tudo isso’ e ‘Arcor: alimentando momentos mágicos’.

Fiquei pensando se as pessoas pensam no descarte quando criam um slogan, ou quando definem as cores, a tipografia de uma marca e até quando projetam um rótulo ou uma embalagem. As marcas que aparecem na foto acima, de certa forma, sobrevivem da praia, uma traz os turistas e as outras vendem produtos para eles. Este ciclo pode parar de funcionar se a praia parar de ser procurada por conta de tanta sujeira!

Foi então que resolvi dar uma busca para saber se estas empresas assumem, de alguma forma, suas responsabilidades ambientais e neste post falarei destas três que citei: Arcor, Copacabana Palace e McDonald’s. A pesquisa foi feita no site das empresas e, além disso, na busca feita no Google com o nome da marca + a palavra sustentabilidade. Veja o resultado:

A primeira empresa pesquisada foi o Copacabana Palace, justamente por ser a que mais se beneficia do local geográfico. Este hotel é o mais famoso da orla de Copacabana, construído entre os anos de 1919 e 1923. Hoje faz parte do grupo internacional Belmond. O site reflete o luxo do hotel! Há uma foto tirada da praia para o hotel que é um desbunde, não tem um único sinal de sujeira na areia! Infelizmente é o oposto do que vemos na foto acima. Nem no site e nem no Google encontrei algo relacionado à sustentabilidade ambiental. Achei algumas matérias que tratavam apenas da sustentabilidade financeira do negócio.

Resolvi então pesquisar o McDonald’s por conta daquele copo repleto de calda de chocolate ainda viçosa de sundae. McDonald’s é uma empresa de origem norte-americana com sede no Brasil desde 1979, com a primeira loja aberta justamente em Copacabana, o bairro, sem modéstia, mais famoso do Brasil! E tive a grata surpresa de ver que a empresa já toma uma série de precauções acerca da sustentabilidade do planeta. Preocupa-se com os peixes, com as embalagens de papel, além de participar de campanhas de cunho social como a Casa Ronald McDonald’s – que dá suporte às famílias de crianças com câncer durante o tratamento. Ainda não resolveu o problema das embalagens de plástico, mas merece um crédito. Vale a pena conferir o que é feito no seguinte endereço – https://www.mcdonalds.com.br/desenvolvimento-sustentavel.

Por fim, a terceira e última empresa a ser analisada hoje é a da antiga e famosa ‘Bala 7 belo’, fabricada pela empresa argentina Arcor, fundada em 1951 e presente no Brasil desde 1981. A empresa tem em suas visões para o futuro, ‘ser reconhecida por suas práticas sustentáveis’. No Rio de Janeiro tem uma fábrica no Rio das Pedras e parece ser bem transparente quanto às suas práticas. A Arcor disponibiliza um uma publicação em espanhol (PDF) intitulada ‘Reporte Sustentabilidad de 2016’, a qual explica com detalhes suas intenções, suas preocupações com o uso da água na produção e no descarte. É uma pena que no fim de tanto esforço vejamos muitos papéis de balas voando nas areias das praias. Assim como o McDonald’s, a empresa também precisará repensar no uso do plástico em seus produtos.

Entendo que fazemos parte de um sistema e que mudar é difícil, mas temos que pensar, temos que nos responsabilizar por nossas atitudes. Fico feliz se meu ‘tímido manifesto’ sensibilizar você quando estiver criando, fabricando ou consumindo. E mais feliz ainda se você compartilhar comigo.

Imagem: Gisela Monteiro.

Gisela Monteiro é mestre e doutora pelo Programa de Pós-Graduação em Design da ESDI/UERJ, na linha de pesquisa ‘História do Design Brasileiro’. É também graduada pela mesma instituição com habilitação em ‘Projeto de Produto e Programação Visual’. Possui formação técnica em Design Gráfico pelo Senai Artes Gráficas do Rio de Janeiro e experiência na prática do Design, tendo sido responsável por diversos projetos para empresas. Atua como docente em diversas instituições do Rio de Janeiro.

4 respostas para “O OUTRO LADO DAS MARCAS – As atitudes que as marcas tomam pela sustentabilidade do planeta.”

  1. Sandra Lucia Costa Pinheiro disse:

    Realmente não pensamos muito neste assunto ou quase nada , mas lendo a sua matéria muito bem escrita por sinal me fez refletir e pensar de que forma poderia ajudar.Sei que estou consciente do problema e sei também que soluções aparecerão .

  2. Isso aí! Temos que pensar como podemos colaborar!

  3. Isabela de Miranda disse:

    Gisela Monteiro com sua sagacidade em alma de artista soube bem captar um dos dilemas do século XXI: o consumo, materializado nos produtos, e o descarte tantas vezes irresponsável. A quem educar? Como educar? Perguntas que aguardam suas respostas. Enquanto isso, profissionais como Gisela fazem a sua parte: chamam atenção para um problema que já se assevera gravíssimo. Meus parabéns!

  4. Gisela Costa Pinheiro Monteiro disse:

    Não podemos perder a esperança!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *