MONÓLOGOS FILOSÓFICOS - Ela entendeu Deus.

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Outro dia dei uma aula sobre Escolástica no meu 1o. ano do ensino médio. Esse é um período medieval importante para entendermos a construção do nosso pensamento aqui no ocidente, hoje (mistura, em linhas gerais, da cultura greco-romana, judaico-cristã e o capitalismo).

Eu trabalhava, especificamente, Tomás de Aquino, filósofo, teólogo, um dos principais nomes da Igreja e que eu apresentava naquela aula a partir dos seus cinco argumentos para provar a existência de Deus.

Ao terminar de explicar, demonstrar logicamente os argumentos dele, uma aluna pede a palavra. Era a Luiza – ela olhava de maneira pensativa para o quadro quando disse: – Tem gente na igreja que quer acabar com as aulas de Filosofia e Sociologia, mas eu entendi melhor Deus aqui do que na igreja. Porque aqui a gente pode discutir sobre o que a gente não entende…

Ela seguiu falando sobre a importância da troca, do diálogo para o entendimento, quando fomos interrompidos pelo monitor que bateu a porta. Eu acabei não conseguindo expor o que queria dizer a ela naquele momento e porque me encantou a delicadeza de sua fala. Respondo agora a Luiza que não há melhor forma de aceitar uma ideia do que entendê-la. E se Habermas (filósofo contemporâneo que nos apresenta a Ética do discurso) estiver certo, somos seres das trocas racionais, somos seres da inter-subjetividade mesmo. Só nos falta aprender a usar a comunicação para uma sociedade mais honesta, mais digna e mais humana.

Quem sou: Roberta Melo, graduada, especialista e mestre em Filosofia; professora com quase 15 anos de carreira; autora do livro ‘Ressentir ou Afirmar? Perspectivas nietzscheanas sobre a dor’, editora Appris, 2018; autora de verbetes de Filosofia na Enciclopédia virtual ‘knoow.net’; apresentadora de vídeos sobre Filosofia no canal ‘Sopro de Atena’. (https://www.youtube.com/soprodeatena).

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