FORA DA CAIXOLA - Desastre Ambiental.

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É considerado desastre ambiental ou ecológico todo evento catastrófico em relação ao meio ambiente devido à atividade humana. Essa é a diferença para o que chamamos de desastre natural.

Os brasileiros tiveram que conviver com uma terrível sensação de impotência no dia 5 de novembro de 2015, quando ocorreu o rompimento da barragem da mineradora Samarco, controlada pela Vale e pela BHP Billiton, em Mariana, Minas Gerais. A devastação foi chocante e ninguém queria que aquilo ocorresse novamente.

Dia 25 de janeiro de 2019, 1.178 dias depois, vemos cenas tão aterrorizantes quanto as anteriores nas telas de TV, tablets e celulares. O mundo globalizado traz imagens em tempo real, de forma que temos vontade de sair correndo para ajudar a minimizar as dores do próximo que está em Brumadinho, Minas Gerais.

Agora, me pergunto, como expressar minha indignação de forma que toque o coração dessa pessoa, desse gestor, desse ser humano que utiliza a forma mais barata de contenção de rejeitos de minério, algo que pode se tornar impossível de conter a qualquer momento? Gostaria de entender como o Sr. Fábio Schvartsman, empossado presidente da Vale S. A. no dia 22 de maio de 2017, aplica métodos de controle e escolha do time que o ajuda a cuidar de operações em 14 estados brasileiros.

Enquanto isso, saindo da esfera da indignação, me conformo mais uma vez? Há especialistas que explicam que o luto demora dois anos. Acabamos todos de nos restabelecer, minimamente, daquele absurdo de 2015 e, três anos e dois meses depois, de novo, temos que ver que ninguém foi punido e que ninguém se sensibilizou o suficiente para evitar outro desastre como o que vimos. E o pior, quem morre também é a esperança, é a confiança, é a dignidade. Todos ficamos estarrecidos e loucos de vontade de que algo mude. E, não muda.

Uma empresa é regida por números, controle de gastos, sabemos disso. Mas, está na hora de entender que tudo o que fazemos merece uma análise antes: faço pelo outro o que gostaria que fizessem comigo?

Eu quero agradecer aos seres humanos que, anonimamente, com a força da coragem e a competência do treinamento e dos recursos tupiniquins, salvaram o que foi possível. Muito obrigada Corpo de Bombeiros, muito obrigada comandante Karla Lessa, piloto do helicóptero que fez um salvamento cinematográfico, muito obrigada aos voluntários que trazem um alento para o coração de todos nós.

Como disse, estou pensando no que seria capaz de mudar a forma de pensar de tantos executivos, de empresários que visam o próprio bem estar e não se colocam no lugar do outro.

Maquiavel já dizia, ‘dê poder a um homem e verás quem ele é’. Ser divertido no churrasco dominical é fácil, bancar o generoso pagando um boleto de doação é simples, ter um discurso convincente é uma questão de treino, agora, arregaçar as mangas, dar exemplo, assumir a responsabilidade e resolver uma questão difícil é para poucos.

Que possamos ter mais gestores com a força de um bombeiro, a coragem de um piloto de salvamento, a solidariedade de milhares de brasileiros e a bondade de tantos que se puseram a rezar pelas vítimas e pelos familiares em desespero. Que haja mais ‘nós’ e menos ‘eu’ no mundo corporativo. O plural sempre é mais feliz do que o singular quando o assunto é liderança.

Obs.: Do website da empresa Vale S. A. extraí a seguinte informação:

Visão – Ser a empresa de recursos naturais global número um em criação de valor de longo prazo, com excelência, paixão pelas pessoas e pelo planeta.

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