Designer: profissional que deve participar deste o princípio na elaboração de projetos de comunicação.

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Existe uma queixa geral por parte dos designers de que eles só são chamados no último instante de um projeto, na expectativa de que deem uma solução ‘bonita’ e ‘para ontem’. Segundo esses profissionais, eles seriam tratados como se fossem ‘confeiteiros’ – aqueles que dariam apenas uma aparência superficial e atrativa ao bolo, depois que ele já está feito. No entanto, para fazerem um bom trabalho, mesmo confeiteiros precisam entender todo um processo, incluindo os desejos do cliente, de quantas camadas o bolo se compõe etc. Caso contrário, o trabalho todo pode ser comprometido.

Da mesma forma, designers não podem ser chamados apenas no fim de processo criativo. Quando isso acontece, eles se sentem limitados, pois várias das soluções que poderiam ser propostas simplesmente ficam inviáveis, uma vez que dependeriam de um alinhamento com os outros profissionais que tenham tido envolvimento desde o início de uma produção.

Assim, se chamados apenas no último momento, o tempo para estes profissionais desenvolverem o trabalho de design é muito pouco. Se tivessem sido envolvidos com mais antecedência, eles conseguiriam ter tempo para estudar mais sobre o projeto em si, considerar o público-alvo e até investigar as soluções dadas em outros projetos similares. Seria possível, por exemplo, propor um estilo para as fotografias, alinhando com o fotógrafo os ângulos e filtros que seriam usados. Poderia também ser solicitado aos redatores os leads impactantes e curtos para iniciar cada texto, assim como definir trechos em destaque para ‘aliviar o peso’ dos blocos de texto, entre outras coisas. A partir disso, então, o designer poderia apresentar um projeto gráfico não apenas ‘bonito’, mas, principalmente, coerente com a proposta do trabalho, o que varia de acordo com cada projeto e cada cliente.

No entanto, infelizmente, o que se vivencia no mercado brasileiro é um atropelo atrás do outro. É muito comum o designer já receber fotografias, textos e todos os conteúdos já definidos para, somente então, poder trabalhar. Nesse momento, ele já não tem mais como conversar, porque existe uma data limite (como um dia de lançamento ou de um evento) e… ‘o trabalho tem que estar pronto antes desse dia!’. Aí, então, não há tempo ou dinheiro para refazer etapas concluídas. E, para piorar, normalmente o serviço chega às mãos do designer com atrasos acumulados nas etapas anteriores, o que estreita ainda mais o tempo que se tem disponível.

O trabalho do designer é bastante criterioso e de muita responsabilidade, já que dele depende a aparência do produto final. Definitivamente, não é só operar os programas gráficos. É preciso ter organização, foco, conhecimento para hierarquizar informações e muitas outras habilidades, além de um ‘toque de mágico’ para conseguir um bom resultado. Toda esta ‘magia’, porém, precisa de tempo para acontecer.

Gisela Monteiro é mestre e doutora pelo Programa de Pós-Graduação em Design da ESDI/UERJ, na linha de pesquisa ‘História do Design Brasileiro’. É também graduada pela mesma instituição com habilitação em ‘Projeto de Produto e Programação Visual’. Possui formação técnica em Design Gráfico pelo Senai Artes Gráficas do Rio de Janeiro e experiência na prática do Design, tendo sido responsável por diversos projetos para empresas. Atua como docente em diversas instituições do Rio de Janeiro. Seu maior interesse: promover projetos que integrem teoria e prática.

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