COMUNICAR É PRECISO - Meça suas palavras!

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A bronca materna, já ouvida em muitas casas brasileiras, traz uma vasta possibilidade de aprendizados, como quase tudo o que as mães falam sem perceber.

Medir as palavras é saber adequar o discurso ao público, em sinal de respeito e busca de gerar o entendimento da mensagem. Não deve ser utilizado para ludibriar…

É também um alerta de que a escolha dos termos gera sentido direto e são reflexos da ruptura ou da manutenção de um poder, de um preconceito, de uma cultura, mesmo que inconsciente.

Em um exemplo rápido, basta ver os temos que aparecem no grupo ao levar uma bronca do superior: a chefa mulher dá ‘chilique’, o chefe homem fica p*** (bravo) ou ‘sua esposa dormiu de calça jeans‘. O que está por trás destes termos usados para desacreditar a mensagem deste superior?

Em outro caso, uma reportagem sobre apreensão de jovem com drogas costuma ser escrita de forma diferente a depender das circunstâncias sociais dos envolvidos. Poderia ser ‘um estudante universitário pego com drogas em festa privada’ ou ‘um traficante da comunidade preso em baile clandestino’. Podem ser circunstâncias semelhantes, com jovens da mesma idade, com o mesmo número de colegas, mesma quantidade de entorpecente, incomodando o mesmo tanto a seus vizinhos… mas qual parece ser bandido?

Por meio da seleção das expressões podemos aproximar ou afastar pessoas, gerar ou não empatia, alertar ou alienar. Nada errado em escolher a forma de se comunicar, ao contrário, é necessário. Mas é preciso fazer isso com consciência, para que este filtro passe por propósitos baseados na ética, no bem comum.

É preciso não reproduzir discursos inadvertidamente, pois nas entrelinhas é que moram os significados mais permanentes.

Fernanda Galheigo é jornalista com foco em comunicação interna e fortalecimento da liderança. Mãe de gêmeos, é apaixonada pela comunicação como forma de cura, ferramenta de gestão e de qualidade de vida.