COLOCA NA RODA - Imprensa, imaginário social e comunicação governamental: quando o discurso é um perigo.

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2020 começou faz pouquíssimo tempo, mas as reflexões sobre a análise do discurso midiático seguem intensas diante de tantos acontecimentos, no mínimo, assustadores (e com certeza, abomináveis).

Um episódio recente que está fazendo a minha cabeça girar até agora foi a lamentável referência que o secretário especial da cultura, Roberto Alvim fez ao nazismo em seu discurso de anunciação do Prêmio Nacional de Artes.

As falas de Alvim foram copiadas de Joseph Goebbels (nada mais, nada menos, do que o ministro da propaganda nazista). Obviamente, isso não pegou bem, gerou reviravoltas e a demissão do ministro.

Sabe o que é mais assustador e perigoso nessa história? A apropriação de um discurso nazista de forma tão natural.

Isso revela uma espécie de ‘flerte’ que a estrutura governamental faz com essa época medonha (o pior de tudo é que não é a primeira vez que isso acontece de forma escancarada. O Observatório da Comunicação Institucional  até comentou sobre uma situação como essa, há um certo tempo. Assista: Perplexidade.

Grande parte das pessoas fizeram a associação. Mas, imagine que, ainda assim, sempre vai ter alguém que pode assistir este tipo de conteúdo e não conseguir captar as referências, em um primeiro momento. O discurso é uma arma que pode destruir, naturalizar o imperdoável e colocar aquela situação como ‘comum’.

Vamos pensar também no papel da imprensa. Quando um veículo de comunicação, ‘X’ ou ‘Y’, decide abordar determinado assunto por uma ótica sensacionalista, antiética, incompleta ou deturpada, isso também é um perigo.

A construção do imaginário social por meio das influências midiáticas é real.

É certo que hoje, temos acesso a muitas informações, no smartphone, no rádio, na TV, nas séries, no desktop e em tantos outros locais e, algumas pessoas, podem pensar que o impacto das informações não é tão determinante assim.

No entanto, pesquisadores estudam por anos sobre a relação entre a mídia e o imaginário social. Ou seja, é inegável que reproduzir um discurso irresponsável pode ser o combustível que incendeia desinformações, ódio, desrespeito e violência.

Quando um governo, um jornal, uma autoridade, um veículo de comunicação ou um departamento responsável por pensar e executar campanhas sobre determinado assunto não tem bom senso, a comunicação pode fazer estragos em massa.

Encontrar o equilíbrio e, acima de tudo, entender a importância da ética e do impacto social das informações é fundamental antes de reproduzir ou criar um discurso.

Vivemos em um caldeirão, no qual todos falam e fervem. Todos são especialistas, mas poucos se preocupam com a mensagem que estão deixando.

E você, o que acha sobre tudo isso? #Coloca na Roda!

(Crédito de imagem: Gerd Altmann |Pixabay).

Bruna Martins Oliveira é jornalista formada pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná. É autora da monografia ‘O Transtorno Bipolar na perspectiva da mídia: uma análise do Paraná no Ar’. Atualmente é redatora em uma instituição de ensino e trabalha em alguns projetos como freelancer. Tem experiência no jornalismo de rádio (Grupo Lumen de Comunicação), além de ter trabalhado como repórter freelancer na Secretaria do Esporte e do Turismo do Paraná e no jornal Gazeta do Povo.