Carlos Brickmann no OCI, 07/08/2014.

Share Button

Assim é se lhe parece.

Os suspeitos preparam as perguntas, que entregam a parlamentares amigos; os parlamentares amigos fazem as perguntas que os suspeitos pediram que fizessem; os suspeitos respondem às perguntas que eles mesmos fizeram e os parlamentares amigos, que fingiram fazer as perguntas a sério, se dão por satisfeitos.

É um escândalo, claro – mas um escândalo comum, que se repete sempre que há CPI.

A diferença é que desta vez a tramoia foi filmada. O grande escândalo é outro: é o comportamento da oposição. Se a bancada da situação só faz perguntas combinadas, por que os oposicionistas não levantam as questões que devem ser levantadas? Cansaço? Difícil: neste ano, o que não faltou foram dias de folga. Conhecimento? Difícil: o que não falta aos nobres parlamentares é assessoria, fora amplos recursos para estudar e decifrar o caso. Disposição? Talvez este seja o grande problema. Aproveitar a compra da Refinaria de Pasadena, EUA, para desgastar o Governo, é coisa que rende manchetes e não dá trabalho. Mas provar que ali foi gasto um montante injustificável já são outros quinhentos. Exige que o parlamentar faça o detalhamento das acusações, expondo-se a eventuais erros, e pode levar a conflitos com entidades que costumam colaborar em todas as campanhas eleitorais, o que inclui a dos partidos e parlamentares de oposição.

O fato é que a campanha eleitoral é cara e que as tetas em que se alimentam Suas Excelências, de todos os partidos, pertencem às mesmas vacas leiteiras. Tirar-lhes o verde pasto prejudica a todos.

Silêncio, pois, que silêncio vale ouro.

Então, tá

Hollywood um dia vai filmar essa história. O diretor de uma empresa é acusado pela presidente do Conselho de elaborar um relatório cheio de falhas, que a levou a aprovar um negócio que se revelou ruim. Mas o diretor, embora em outro posto, continua diretor por longos e longos anos. Um dia, quando o negócio se torna conhecido, o referido diretor é demitido. Mesmo assim, recebe total assistência da empresa que o demitiu, com treinamento especializado para depor na CPI e direito de formular as perguntas a que vai responder. Como diria a presidente do Conselho, que tem cara de brava mas é boazinha, É Tóis!

Coisa feia

Fazer humor com a tragédia do menino que perdeu o braço na jaula do tigre é uma das coisas mais horrorosas que existem. Só há uma mais horrorosa: fazer humor com a tragédia do menino para fins político-partidários. É asqueroso.

O inimigo do Estado

Quatro policiais foram ao escritório do delegado Romeu Tuma Jr., ex-secretário nacional da Justiça, para levá-lo coercitivamente (em outras palavras, obrigá-lo a comparecer, sob guarda) à Superintendência da Polícia Federal, para depor a respeito das denúncias que fez em seu livro Assassinato de Reputações – um crime de Estado, um best-seller redigido pelo jornalista Cláudio Tognolli. Tuma se recusou a acompanhá-los, pela ilegalidade da ação. E foi à Polícia Federal por vontade própria.

No livro, Tuma faz acusações ao ministro Gilberto Carvalho, ao governador gaúcho (e ex-ministro) Tarso Genro, diz que Lula foi informante de seu pai, Romeu Tuma, diretor da Polícia política da ditadura militar, denuncia uma fábrica de dossiês falsos sobre adversários políticos por gente ligada ao Governo Federal. Segundo diz, todos os ministros do Supremo Tribunal Federal foram grampeados. É por dizer essas coisas que sofre pressões de cima.

Coisa perigosa

Mandar prender Tuma Jr. para que ele preste um depoimento que nunca se recusou a fazer tem um aspecto curioso: o que está no livro está no livro, não precisa ser reafirmado. E tem um aspecto perigoso: com tanto tempo como delegado, em cargos importantes, Tuma Jr. deve saber muito.

E se quiser contar mais?

O velho e o novo

Eduardo Campos, candidato do PSB à Presidência, decidiu aderir ao novo: tem um Twitter. Mas ainda não sabe usá-lo. No Twitter, uma ferramenta de transmissão de mensagens pessoais, Campos se refere a si mesmo na terceira pessoa – como Pelé. E manda: Em Pelotas, Eduardo Campos aponta a importância dos jovens na construção de um novo Brasil.

Seu endereço, para quem quiser colecionar novas pérolas virtuais, é @eduardocampos40

Sem política 1

Um pouco de cultura, em vez de política e economia: na Galeria Gravura Brasileira (ótima, só com artistas nacionais, comandada pelo arquiteto e galerista Eduardo Besen), já estão em exposição as gravuras e fotografias de Ana Calzavara e as xilogravuras de Ruth Kelson. Até 13 de setembro. De segunda a sexta, das 10 à 18h; sábado, das 11 às 13h. Rua Franco da Rocha, 61 – São Paulo.

Sem política 2

Uma nova coleção, novas e boas obras: a Bella Editora lança três livros na Coleção Diálogo Entre Religiões. Os temas são Islamismo, Budismo e Espiritismo. Os livros serão autografados pelos autores, Heródoto Barbeiro, Alexandre Caldini Netto e o xeque Taleb Hussein al-Khazraji, a partir das 11 da manhã do sábado, 9, no Teatro Eva Herz, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, SP.