EDUCOMUNICAÇÃO PRESENTE: Jornalismo Comunitário e o fortalecimento da cidadania em jovens nas periferias.

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Ensinar comunicação para jovens antes mesmo que tenham saído do ensino médio é uma forma de integrar este público a assuntos que estão em discussão na sociedade.

Quando os trazemos para a sua realidade próxima, ou seja, seu bairro, sua cidade, sua comunidade, fazemos com que eles se identifiquem com todo o processo de socialização e desenvolvimento da região onde moram.

O jornalismo comunitário tem esse intuito: dar voz a quem, muitas vezes, não tem. Desenvolver a cidadania e a participação de quem pode ter sido esquecido pelas autoridades. Exemplos como o jornal ‘Voz da Comunidade’, do Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro é um ‘case’ citado sempre que se trata de jornalismo comunitário.

Como preparar os jovens para gerar interesse e engajamento quando se fala de comunicação? O projeto ‘Desenrola e Não Me Enrola’, em São Paulo, possui um programa de formação chamado ‘Você Repórter da Periferia’. São duas fases: a primeira – que dura três meses -, com oficinas teóricas, que ocorrem no Centro de Mídia M’Boi Mirim, localizado no Jardim Ângela, na Zona Sul de São Paulo. As oficinas práticas ocorrem aos finais de semana e são focadas na produção de reportagens em diversas periferias da cidade, também com duração de três meses.

“O programa de formação do ‘Você Repórter da Periferia’ contribui e tem um compromisso firmado com a juventude periférica. Por meio das ferramentas do jornalismo, buscamos estimular a compreensão do valor das relações humanas e rompimento de barreiras geográficas e sociais, fomentar o reconhecimento da identidade cultural e formar jovens a partir das ferramentas do jornalismo para o desenvolvimento do senso crítico”, conta Thais Siqueira, uma das responsáveis pelo projeto.

Projetos assim estimulam o jovem a olhar para a comunidade em que convive e ter a certeza de fazer parte de todo o processo de desenvolvimento local, respeitando e compreendendo as diferenças de cada bairro, ações socioculturais, e grupos que fazem a diferença no local, entre outros. Através da Educomunicação apresentada aos jovens do ensino fundamental ou médio, podem ser formados futuros jornalistas, relações-públicas, radialistas…

“A maior parte dos jovens que chegam ao projeto revela inúmeras dificuldades. Entre as principais posso citar o ingresso no mercado de trabalho; aprendizagem no ensino médio e superior; e problemas em sua base familiar. Em meio a essas situações do cotidiano, os jovens acabam naturalizando a falta de compreensão sobre tais questões. Com isso, buscamos aproximar os jovens de discussões sobre direito à cidade, questões de raça, classe e gênero, tudo isso como uma forma de estimular o senso crítico deles sobre mídia, mercado de trabalho e mundo acadêmico. Tudo por meio do jornalismo, e sem deixar de lado a principal proposta do curso: descobrir e vivenciar os potenciais econômicos, culturais e sociais da periferia”, conclui Thais Siqueira.

A Educomunicação enquanto ferramenta para promover a cidadania vem crescendo, principalmente com a ajuda de projetos que envolvem jornalismo comunitário. E pode ser a porta de entrada para muitos jovens compreenderem suas participações na política, na mídia e na economia.

Natalia Francisca é jornalista especialista em crítica de arte, educomunicação, cinema documentário e atua há mais de seis anos com comunicação empresarial e design multimídia.

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