As pessoas não se comunicam. Elas se relacionam.

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Já se foi o tempo em que as pessoas acreditavam que a boa comunicação numa empresa era sinônimo de “informação oficial”. Sim, as informações oficiais são evidentemente importantes para a “vitalidade” de uma corporação. Sem os comunicados oficiais as pessoas trabalhariam sem rumo.

Mas, a comunicação numa empresa é mais do que isso. Pode-se dizer que é uma grande rede de relacionamentos formada por pessoas cheias de desejos, sonhos, expectativas profissionais e, por que não, pessoais.

Basta olhar ao seu redor para notar que alguns colegas de trabalho são muito mais do que apenas pessoas que dividem a mesma sala com você. Alguns já fazem parte da sua história de vida.

Os relacionamentos dentro das empresas não começam à toa. Na verdade, pessoas com mais afinidades passam a dividir suas opiniões, daqui a pouco dividem projetos e, com o passar do tempo, estão dividindo também sua vida íntima. Convidam você para um café da tarde para conhecer a família ou participar de um churrasco no domingo. E tudo isso é muito comum e acontece conforme se vai estabelecendo a confiança na pessoa. E, então, esta confiança passa a ser mútua e, colegas de trabalho, passam a ser, também, amigos.

Tal situação, é claro, não ocorre com todos os colegas porque, afinal, nem sempre numa empresa se encontram pessoas com afinidades. Ou ainda, não se encontram pessoas dispostas a se abrir para novas amizades. E isso não quer dizer que a comunicação pessoal não ocorra entre pessoas que não são íntimas. Pode haver cordialidade entre elas, pode haver gentileza e troca de favores. É possível comunicar a preocupação com um colega de trabalho que você não tem tanta intimidade ou não conhece muito. Um exemplo clássico entre as mulheres é perguntar se uma ou outra têm um medicamento na bolsa ou uma lixa de unha. Não existe um protocolo oficial da empresa que diz que a comunicação informal não deva acontecer, até porque seria inviável impedir as pessoas de conversarem livremente.  Então, observe que a comunicação dentro de uma empresa circula em todos os sentidos, em todas as áreas, fazendo com que pessoas se conectem, se conheçam e troquem experiências. Os comunicados oficiais são, portanto, uma parte da comunicação dentro de uma empresa.

Porém, a comunicação que traz o sentido de unidade para uma corporação também serve para desagregar, promover conflitos e ferir.  Num mercado tão competitivo, repleto de exigências e metas, a comunicação pode ser uma ferramenta de combate. Por exemplo, aqueles que anseiam pelo sucesso muitas vezes utilizam a comunicação para depreciar colegas, para manipular (com elogios ou chantagens outros), e até mentir, tentando ampliar seus talentos. Existem aqueles que utilizam a comunicação para alcançar mais contato com o chefe, que fingem ser bacanas com um colega para obter benefícios, sem comunicar seus interesses, de fato, mas galgando em suas expectativas na confiança estabelecida com o outro.

Alguns também utilizam a comunicação para excluir aqueles com os quais não se tem afinidades. A comunicação, claro, não está apenas naquilo que se fala, mas também naquilo que se deixa de dizer. Tudo expressa! Esses dias, alguém contou um caso de uma empresa em que os colaboradores criaram um grupo no Facebook mas excluíram dois colegas que se destacavam muito. Claro, isto gerou conflito.

A comunicação traduz o clima de uma organização e ela denuncia o grau de maturidade dos colaboradores, chefes, gestores. Quando bem administrada (em todas as áreas), a comunicação ajuda a resolver conflitos, a colocar os “pingos nos is” e a transformar o ambiente de trabalho num espaço saudável.

No entanto, se não há essa perspectiva, é importante que o profissional se questione: será que vale a pena o salário quando a comunicação numa empresa não é saudável? Afinal, você terá que lidar com relacionamentos difíceis, comunicação ruidosa e pouco nítida.

E isso, caro leitor, só você poderá responder.

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