Acertando o tom.

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Ouvir a voz de alguém é, sem dúvida, daqueles momentos do dia que podem trazer alegrias ou tristezas. Escutar a voz de uma amiga querida após um dia inteiro de trabalho pode ser um alívio.

Escutar a voz de alguém que está prestes a lhe dar uma bronca, sem sombra de dúvidas, faz qualquer um se chatear antes mesmo de ouvi-la…

Um tom fora da frequência ideal de ser escutado pode gerar, literalmente, ruídos no ouvido humano. A audição é uma daquelas dádivas que só se percebe como tal quando comprometida. Por isso, poucos dão a importância devida ao ouvir… E muito menos ao tom proferido em seus próprios discursos.

Mas, por que o tom de um discurso é tão relevante assim?

Porque um discurso não é feito apenas daquilo que é dito, de seu conteúdo. Existe força também nas expressões faciais, na postura do seu corpo e nas ênfases transmitidas por meio de seu tom de voz. É o tom que vai enfatizar “onde” se quer chegar. Você pode dizer para alguém “Vá tomar banho…” em forma de brincadeira. Ou dizer “Vá tomar banho!” como maneira de desdenhar, como quem quereria dizer: “Que besteira você está falando!” O que mudou? O tom.

Por isso, o tom confere um peso e tanto às palavras. Palavras ditas com o tom que devem ter podem soar como música aos ouvidos, mesmo quando um assunto não é lá muito bom. Certa vez, um amigo disse que foi demitido porque não se enquadrava no perfil que a empresa desejava. O “então” chefe chegou para esse amigo e disse: “Fulano, você tem um perfil ‘assim’ e nós desejamos um perfil ‘assado’. Entendemos a importância do seu perfil, mas não é o que procuramos nesse momento. Estamos desligando você da nossa empresa, mas conhecemos uma empresa com o seu perfil… Eu poderia indicar você a essa empresa?”. Não é preciso dizer que ele ficou muito contente com o “tom” dado à conversa que, de forma geral, não seria nada agradável. Ele e o antigo chefe se tornaram muito amigos. O que um tom de voz é capaz de fazer, não?

Então, imagine se os tons proferidos dentro das empresas tivessem a frequência que deveriam ter, de fato? Um pedido feito por um chefe sem o tom de ameaça, um “feedback” bem realizado, encorajando o funcionário a melhorar seu serviço, um tom de bom humor no comentário àquele colega que errou sem querer… Não seria muito mais gostoso de se trabalhar assim?

Ouso até dizer que se o tom dado aos diálogos fosse o do bom senso haveria menos espaço para as fofocas no ambiente de trabalho. Afinal, as palavras ganhariam só o peso que merecem, de fato.

Mas, se você ainda tem dúvidas de que o tom de voz possa fazer diferença, recorro a Victor Hugo: “As palavras têm a leveza do vento e a força da tempestade”. Lembro que a frase foi elaborada numa época em que qualquer coisa dita num tom errado poderia tornar qualquer um num miserável… ou gerar um duelo ao por do Sol. Hugo sabia disso como ninguém!

P. S.: Caro leitor, a palavra “miserável” é proposital, apesar do trocadilho infame. “Os miseráveis” é a obra mais lida de Victor Hugo. E, no meu coração, esta obra tem lugar cativo.

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