Discurso político eleitoral no Brasil = fala "non sense".

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Já em duas oportunidades, neste OCI, manifestei-me sobre o tema do discurso político-eleitoral que se pratica no Brasil neste momento pré-eleitoral.

Volto a tratar do assunto para comentar o artigo de Denis Lerrer Rosenfeld, publicado na seção de Opinião do jornal O Estado de S. Paulo, em 21/10/2013, intitulado “O marinês”.

Como pode ser visto na íntegra, no link acima, o autor inicia assim sua crítica: “O marinês é uma nova língua política que se caracteriza por abstrações e fórmulas vagas com o intuito de capturar o apoio dos incautos. Suas expressões aparentemente nada significam, porém procuram suscitar a simpatia das pessoas que aderem ao politicamente correto. Contudo, só aparentemente nada significam, pois carregam toda uma bagagem teórica que, se aplicada, faria do Brasil um país não de sonháticos, mas de pesadeláticos”.

Sonháticos, explico, é o neologismo que a ex-senadora e ex-ministra do Meio Ambiente do governo Lula inventou para designar os que a apoiam, e que deram a ela 20 milhões de votos no primeiro turno da última eleição presidencial, em 2010.

Sem conseguir transformar tal massa de votantes em assinaturas reconhecíveis pela Justiça Eleitoral, que exigia 500.000 para credenciar a Rede Sustentabilidade, Marina Silva ficou sem partido na última hora (05/10/2013), e no último minuto filiou-se ao PSB – surpreendendo a todos, inclusive àqueles que muito desejavam vê-la “no páreo” presidencial de 2014. Afinal, a candidatura do PSB já estava posta, contando, como candidato, com o governador de Pernambuco – e presidente do partido – Eduardo Campos. Ou seja, parece que ninguém gostou da atitude dela.

Voltando ao que interessa-nos analisar, vejamos as expressões que o professor de filosofia da UFRGS pinçou em seu artigo: Marina Silva quer “democratizar a democracia”, incluir os “povos da floresta” e representar “o novo”. O que, de fato, quererá a candidata? Por acaso já não vivemos numa democracia? Povos da floresta serão os indígenas ou imigrantes de todas as partes do Brasil que aceitaram povoar a Amazônia durante todo o século XX? O “novo” é quem? Eduardo Campos?

É preciso auscultar em profundidade o discurso dos políticos “profissionais”, e o OCI deve propor-se a fazê-lo. O discurso dito “político” é aquele que não pode prescindir nem por um instante de seu caráter institucional, instituinte. Afinal, numa democracia, a principal instituição é o voto livre – moeda de troca valiosa e soberana que o cidadão dá ou não após assistir à cruzada que vê travada no tabuleiro do marketing político-eleitoral que são as campanhas.

O risco é que se elas, as campanhas, são desfiles de platitudes, discursos vazios eivados de teleologias e frases de efeito, sem sentido, e, como diz o povão, “sem noção”, há que denunciar este engodo, o que o OCI deve fazer ao longo do período eleitoral que já se iniciou.